Lá eu ainda estava: sozinho e sem saber quem eu era. Eu me fracassei e perdi meu ser dentro de mim. Sentei no chão.
Ainda chovia, o mesmo tom brilhoso imperava.
Os deuses ainda estavam ao meu redor, Manadel já estava de pé e não mais chorava. Pouco tempo depois, o sol surgiu, seguido da lua, um em cada extremo celeste. Metade do céu era dia, metade do céu era noite, o centro do céu era degradé.
Os astros assistiam do alto, enquanto vinham em minha direção as divindades. Agora, tudo era calmaria. Disseram-me, com serenidade, para eu me levantar, mas não tive forças. Mahyra veio um pouco mais perto de mim e se ajoelhou em minha frente, cobriu meu corpo com um abraço.
A chuma diminuira.
Não soube como reagir e notei que o espanto me foi traduzido pela face. Ele disse 'tenha calma, não lhe farei mal algum' e, vagarosamente, respondi o abraço dado.
Levantei-me, envergonhado e com sua ajuda. Não entendi como eles poderiam me tratar tão calmamente depois de tudo que eu disse, depois do que acabara de acontecer e, subitamente, me veio à mente 'errar é humando, perdoar é divino'. Entendi o que essa frase quis dizer, vivi o seu significado. Todos os deuses que lá estavam agiam como um só, tamanha era a sua fluidez e, por esse mesmo motivo, adquiriram uma só personalidade. A nova simbiose me restituiu aos poucos, falando que tudo isso estava perto do fim, que toda a dormência dolorosa estava quase alcançando o final.
Eu, solenemente, agradeci pela ajuda e pela poesia que fora dita, a mesma que eu não pude traduzir aqui. Como em um passe de mágica, tudo ficou em câmera lenta, inexplicavelmente iluminado com uma luz áurea. A consequência da queda seria o encontro com o Inferno, mas, antes que isso acontecesse, eu fui salvo. A mão, a mesma que demorei para enxergar, a mesma que sirgiu de uma síntese, me aliviou do desmoronamento.
Percebi que a chuva lavava meu ser e tudo era apenas uma prova, na qual espero eu ter passado.
O que era para ter sido meu desabamento acabou por ser a minha mais nova construção.
sábado, 19 de dezembro de 2009
terça-feira, 15 de dezembro de 2009
O Salão.
De volta no jardim de entrada, seguimos rumo em direção à porta da esquerda. Entramos.
De dentro do salão, notei que a outra porta também nos traria até aqui.
Era igualmente redondo e haviam 9 tronos. Em cada um, um respectivo deus. No trono central estava Mahyra. Os das pontas estavam vazios e logo foram ocupados por Sahi e Korahi.
Havia parede apenas atrás de mim, nas portas e, no resto, apenas um parapeito que chegava ao meu quadril. Logo, não havia teto. A vista, que se encontrava atrás dos deuses e à minha frente, era intérmina, mas notei que existiam montanhas no horizonte.
Nenhum deles se levantou ou sorriu, nenhum deles demonstrou qualquer coisa. E Mahyra falou.
- O que te trouxes até aqui?
- A loucura que mais me corrói.
- Diga.
- Descubra, Divino.
- Olhe no fundo dos meus olhos. - eu olhei.
Ao olhar profundo em sua íris, vi uma porta se fechar, e a reconheci. Imagens jogadas aleatoreamente, remetendo todas ao meu passado tão conturbado. Vi toda a minha história desabando em mim como se minha casa ruísse. E sei que ele também viu, sei que também notara tudo que eu passei para ter chegado àquela posição. Notei isso pelo jeito como me encarou depois que a ilusão acabou.
Após a encenação, levantou-se. Veio até mim. Olhando fixamente, sem piscar.
- A culpa, de todos os acontecimentos catastróficos, é inteiramente tua.
- Eu não lhe pedi opnião.
- Não é necessário que tu dê-me uma permissão para que o faça.
- Com a tua inércia, respondo-lhe de que não pedi uma explicação.
O deus aumentou o ego ao ponto de que fisicamente fosse notável e, junto dele, a sua voz.
- Estás em minha morada e ousas ser rude assim?
- Eu que rodei o mundo todo, os dois planos existenciais e fui recebido com ingratidão!
A densidade da atmosfera do salão começara a crescer e o ar se envergou na sua direção.
- Não fostes chamado! Viestes porque tu és fraco e o suicídio lhe foi concedido, pois a Morte estava cega por amor. Se não fosse por ela, nem isso terias conseguido.
- Falas como se soubesses de algo, falas como se já tivesses vivido aldo do gênero. Sou resultado da minha cólera emocional, sou resultado da ausência. Sou muito mais do que a tua perfeição pode enxergar.
- Eu sou a tua ausência, todos os outros desta sala o são. Então arrependa-se, porque estás diante de tudo que alega ser o motivo da tua vinda até aqui. Agora, os tem de volta, por que ainda põe-se no centro da vitimia?
E, nesse momento, eu notei que algo grandioso estaria prester a acontecer.
De dentro do salão, notei que a outra porta também nos traria até aqui.
Era igualmente redondo e haviam 9 tronos. Em cada um, um respectivo deus. No trono central estava Mahyra. Os das pontas estavam vazios e logo foram ocupados por Sahi e Korahi.
Havia parede apenas atrás de mim, nas portas e, no resto, apenas um parapeito que chegava ao meu quadril. Logo, não havia teto. A vista, que se encontrava atrás dos deuses e à minha frente, era intérmina, mas notei que existiam montanhas no horizonte.
Nenhum deles se levantou ou sorriu, nenhum deles demonstrou qualquer coisa. E Mahyra falou.
- O que te trouxes até aqui?
- A loucura que mais me corrói.
- Diga.
- Descubra, Divino.
- Olhe no fundo dos meus olhos. - eu olhei.
Ao olhar profundo em sua íris, vi uma porta se fechar, e a reconheci. Imagens jogadas aleatoreamente, remetendo todas ao meu passado tão conturbado. Vi toda a minha história desabando em mim como se minha casa ruísse. E sei que ele também viu, sei que também notara tudo que eu passei para ter chegado àquela posição. Notei isso pelo jeito como me encarou depois que a ilusão acabou.
Após a encenação, levantou-se. Veio até mim. Olhando fixamente, sem piscar.
- A culpa, de todos os acontecimentos catastróficos, é inteiramente tua.
- Eu não lhe pedi opnião.
- Não é necessário que tu dê-me uma permissão para que o faça.
- Com a tua inércia, respondo-lhe de que não pedi uma explicação.
O deus aumentou o ego ao ponto de que fisicamente fosse notável e, junto dele, a sua voz.
- Estás em minha morada e ousas ser rude assim?
- Eu que rodei o mundo todo, os dois planos existenciais e fui recebido com ingratidão!
A densidade da atmosfera do salão começara a crescer e o ar se envergou na sua direção.
- Não fostes chamado! Viestes porque tu és fraco e o suicídio lhe foi concedido, pois a Morte estava cega por amor. Se não fosse por ela, nem isso terias conseguido.
- Falas como se soubesses de algo, falas como se já tivesses vivido aldo do gênero. Sou resultado da minha cólera emocional, sou resultado da ausência. Sou muito mais do que a tua perfeição pode enxergar.
- Eu sou a tua ausência, todos os outros desta sala o são. Então arrependa-se, porque estás diante de tudo que alega ser o motivo da tua vinda até aqui. Agora, os tem de volta, por que ainda põe-se no centro da vitimia?
E, nesse momento, eu notei que algo grandioso estaria prester a acontecer.
A Revelação. (lembra que houve quebra)
Subitamente, toda a verdade me acertou. E naquele momento eu sucumbi aos céus, redundantemente. Sabia que choraria por ter completado o ciclo, mas estranhei me ver aos prantos, clamando por meu próprio réu. E esse sou eu.
Joguei minhas mãos em direção às divindades, sumplicava pelo término do meu sofrer. Ajoelhado, de cabeça baixa, suspirei um poema que nem eu mesmo entendi, sequer soube ao certo o que dizer. Alguns deles vinham em minha direção e, antes que pudessem chegar perto, eu me levantei.
- Não! Chega! Não existirá mais deuses para resumir aquela composição! Não existirá mais glória, não existirá mais nada. Nada!
Levantei as mãos ao astro, apontanto na direção do sol.
- Você! Não brilhe mais. Não mereces ser a iluminação do meu caminho. - a lua se mostrou, assustada, tentando consolar o sol. - Você também! Não serás mais a inspiração que me surge às noites. Nem poema nem maestria. Não me serão nada.
E os dois se puseram a chorar, fazendo com que as nuvens se tornassem pesadas de lágrimas e trouxeram a escuridão. Olharam-me com os olhos de quem não entendem nada e quebraram o círculo prata.
Nesse segundo, o universo morreu.
A tempestade de tristeza já começava a demonstrar potência e aumentou toda a atmosfera de ódio.
E os deuses ficaram bravos, logo tornaram maiores os egos e vieram para minha frente. As mãos que estavam para cima desceram, na mesma velocidade que eu mirava neles a minha visão. Os palmos eu lhes mostrei. Fiz sinal para que parassem.
- Vocês também não! Deixem de achar que são a perfeitos. Não terão mais os meus olhos bêbados para tanto os fazer crescer. Não me importa se agora serei completado com dor ou com arrependimento, não me importa se quebro a promessa com os senhores do destino. - Manadel estava jogado no chão, olhando-me, sem acreditar no que estava acontecendo. Ele chorava, desesperado. - E vos visto, agora, com todas as faces de qualquer praga. E desejo que esta mesma praga seja a controle a minha vida!
A tormenta começava a cair. Chovia as lágrias do sol e da lua, chovia prata, chovia lindo, contrastando o espetáculo que acontecia abaixo. As nuvens se encontravam em círculo logo acima do salão, tenho para mim que um pouco mais de vento, dali, nasceria um tornado.
- E que essa chuva alimente ainda mais a loucura que me rouba os ares, que se misture rápido à água que sai de mim, que me corroa como ácido. Porque é isso que eu quero! Alguém me traga o fim, alguém me apresente à morte física e não à loucura! E que todos vocês caiam em ruínas esquecidas. Eu serei apenas para mim.
Joguei minhas mãos em direção às divindades, sumplicava pelo término do meu sofrer. Ajoelhado, de cabeça baixa, suspirei um poema que nem eu mesmo entendi, sequer soube ao certo o que dizer. Alguns deles vinham em minha direção e, antes que pudessem chegar perto, eu me levantei.
- Não! Chega! Não existirá mais deuses para resumir aquela composição! Não existirá mais glória, não existirá mais nada. Nada!
Levantei as mãos ao astro, apontanto na direção do sol.
- Você! Não brilhe mais. Não mereces ser a iluminação do meu caminho. - a lua se mostrou, assustada, tentando consolar o sol. - Você também! Não serás mais a inspiração que me surge às noites. Nem poema nem maestria. Não me serão nada.
E os dois se puseram a chorar, fazendo com que as nuvens se tornassem pesadas de lágrimas e trouxeram a escuridão. Olharam-me com os olhos de quem não entendem nada e quebraram o círculo prata.
Nesse segundo, o universo morreu.
A tempestade de tristeza já começava a demonstrar potência e aumentou toda a atmosfera de ódio.
E os deuses ficaram bravos, logo tornaram maiores os egos e vieram para minha frente. As mãos que estavam para cima desceram, na mesma velocidade que eu mirava neles a minha visão. Os palmos eu lhes mostrei. Fiz sinal para que parassem.
- Vocês também não! Deixem de achar que são a perfeitos. Não terão mais os meus olhos bêbados para tanto os fazer crescer. Não me importa se agora serei completado com dor ou com arrependimento, não me importa se quebro a promessa com os senhores do destino. - Manadel estava jogado no chão, olhando-me, sem acreditar no que estava acontecendo. Ele chorava, desesperado. - E vos visto, agora, com todas as faces de qualquer praga. E desejo que esta mesma praga seja a controle a minha vida!
A tormenta começava a cair. Chovia as lágrias do sol e da lua, chovia prata, chovia lindo, contrastando o espetáculo que acontecia abaixo. As nuvens se encontravam em círculo logo acima do salão, tenho para mim que um pouco mais de vento, dali, nasceria um tornado.
- E que essa chuva alimente ainda mais a loucura que me rouba os ares, que se misture rápido à água que sai de mim, que me corroa como ácido. Porque é isso que eu quero! Alguém me traga o fim, alguém me apresente à morte física e não à loucura! E que todos vocês caiam em ruínas esquecidas. Eu serei apenas para mim.
sábado, 12 de dezembro de 2009
As Salas.
Cada passo que nascia era atrelado ao medo e eu tremi todos na linha que eu criei para seguir. Respirei fundo quando cheguei perto da porta e só soltei o ar quando a abri pro completo. Mas confesso não ter olhado para dentro no primeiro segundo que tive, pois os olhos eu fechei.
A sala era um cubo branco com uma luz de teto, apenas isso. Entrei e Manadel me seguiu. Olhei para trás, para a porta, queria saber se os deuses vinham, mas eles apenas fecharam a porta.
Ao me virar para o centro da sala, percebi que surgira uma mesa, uma cadeira e um cigarro junto ao cinzeiro com o isqueiro.
Há inspiração no Paraíso.
Manadel se dirigiu à cadeira cadeira, a puxou e sentou. Encostei-me na parede e nada disse, nada pensei, nada fiz.
O primeiro cigarro aceso foi dele.
Após um minuto de silêncio, percorri todo o perímentro da sala e vi que as paredes brancas pediam por enfeites. Precisava colocar ali algo que marcasse a minha presença, quis desenhar. Junto do pensamento me surgiu a mão um pincel. No mesmo local que me foi dado, parei e passei a riscá-la. De começo, estrelas. Depois stratus, rostos e frases. Manadel ainda fumava.
Fiquei impaciente, no mesmo instante que ele também e trocamos de posição. Sentei-me na mesa, acendi um cigarro e me pus a observá-lo. Era tão hiperativo quanto eu e logo se colocou a rabiscar as paredes. Começou pelas frases que eu não entendia. Depois criou rostos que não tinham sexo, spissatus e constelações.
Ele realmente era eu.
Quebrando toda a atmosfera de silêncio e levando a fumaça do cigarro embora, a porta se abriu e os deuses se apresentaram, nos convidando a sair.
- Isso nunca antes acontecera. É fato de que nenhum outro humano chegara até aqui, mas sabíamos por sua índole que tentaria sair de lá.
- Não pensei nisso um segundo sequer.
- É exatamente esta a parte que nos deixa inquieto mas, apesar disso, você encontrou uma parte da resposta. Por isso, nos siga.
Novamente, o centro era outra escada, que dava a outro círculo abaixo de nós, formando uma terceira coluna que se encaixava perfeitamente no superior. Essa escada também me fora complicada pelo mesmo motivo da anterior.
Seu jardim, por sua vez, não era um jardim. Onde deveria haver plantas, havia água com peixes de cores discretas, ilumidos por lâmpadas, também discretas, dentro da água. A formação era a mesma, mas não haviam portas.
- O que tu sentes aqui?
- Que falta algo.
- E falta de verdade. Agora, vamos achar a falta.
Depois de tanto descer, subimos. No primeiro jardim, chegamos.
A sala era um cubo branco com uma luz de teto, apenas isso. Entrei e Manadel me seguiu. Olhei para trás, para a porta, queria saber se os deuses vinham, mas eles apenas fecharam a porta.
Ao me virar para o centro da sala, percebi que surgira uma mesa, uma cadeira e um cigarro junto ao cinzeiro com o isqueiro.
Há inspiração no Paraíso.
Manadel se dirigiu à cadeira cadeira, a puxou e sentou. Encostei-me na parede e nada disse, nada pensei, nada fiz.
O primeiro cigarro aceso foi dele.
Após um minuto de silêncio, percorri todo o perímentro da sala e vi que as paredes brancas pediam por enfeites. Precisava colocar ali algo que marcasse a minha presença, quis desenhar. Junto do pensamento me surgiu a mão um pincel. No mesmo local que me foi dado, parei e passei a riscá-la. De começo, estrelas. Depois stratus, rostos e frases. Manadel ainda fumava.
Fiquei impaciente, no mesmo instante que ele também e trocamos de posição. Sentei-me na mesa, acendi um cigarro e me pus a observá-lo. Era tão hiperativo quanto eu e logo se colocou a rabiscar as paredes. Começou pelas frases que eu não entendia. Depois criou rostos que não tinham sexo, spissatus e constelações.
Ele realmente era eu.
Quebrando toda a atmosfera de silêncio e levando a fumaça do cigarro embora, a porta se abriu e os deuses se apresentaram, nos convidando a sair.
- Isso nunca antes acontecera. É fato de que nenhum outro humano chegara até aqui, mas sabíamos por sua índole que tentaria sair de lá.
- Não pensei nisso um segundo sequer.
- É exatamente esta a parte que nos deixa inquieto mas, apesar disso, você encontrou uma parte da resposta. Por isso, nos siga.
Novamente, o centro era outra escada, que dava a outro círculo abaixo de nós, formando uma terceira coluna que se encaixava perfeitamente no superior. Essa escada também me fora complicada pelo mesmo motivo da anterior.
Seu jardim, por sua vez, não era um jardim. Onde deveria haver plantas, havia água com peixes de cores discretas, ilumidos por lâmpadas, também discretas, dentro da água. A formação era a mesma, mas não haviam portas.
- O que tu sentes aqui?
- Que falta algo.
- E falta de verdade. Agora, vamos achar a falta.
Depois de tanto descer, subimos. No primeiro jardim, chegamos.
sexta-feira, 11 de dezembro de 2009
A Entrada.
Enquanto eu ainda observava a arquitetura que imperava, seguindo com a visão pelo caminho do jardim e Manadel terminava de se explicar, os portões se mexeram, abrindo-se lentamente, por completo.
O ouro refletiu a forte iluminação e por uns segundos o que vi foi apenas o branco. Após tê-lo passado, outro jardim foi revelado. Entramos.
Agora dentro, notei que o espeço ainda era maior do que pareceu. Entre arbustos e outros, haviam certas árvores de um porte um tanto maior, no centro, um círculo preenchido por gramíneas. O saguão de entrada era circular, sendo possível caminhada apenas pelo segmento interno, com excessão do meio. Às árvores foram dados ninhos dos mais variados tipos de pássaros, dos mais silvestres aos mais exóticos. Cores e cantos de toda sorte.
Ao norte, o trecho que era composto por jardim fora quebrado para dar espaço a uma evaginação do caminho que eu estava, bifurcando, cada um dando a outra porta. Enquanto olhava, dois deuses me apareceram. Korahi e Sahi se apresentaram, cada um saindo de um lado. O sol veio vestido de dourado fosco, em vestes longas, cobrindo o corpo frio de gelo. A lua chegara vestida de prata cinza, em vestes igualmente longas, cobrindo o corpo quente de fogo.
Sem uma palavra darem, olharam para o círculo central e esse se elevou. De lá, outro caminho.
Eles entraram primeiro e me chamaram, estendendo a mão, convidando-nos. Segui-os. Descemos por uma escada em espiral, que me foi de muito difícil caminhar. Culpa da labirintite.
Chegamos a um salão exatamente abaixo de onde estávamos, com a mesma circunferência, agora sendo diferenciada pelo tipo de flores que lá haviam e pela ausência de uma das portas. Junto às paredes, várias pinturas. Uma para cada deus.
- Há muito tempo esperávamos por vocês.
- Até por Manadel? Mas ele sempre esteve aqui.
- Não, essa é a primeira vez dele no Paraíso.
Olhei para Manadel sem entender e ele retribuiu meu olhar dizendo pelos olhos que eu veria o sentido.
- Os guardas não têm personalidade até que seja necessário e, enquanto isso não acontece, sua vida é meio inerte. Existe, de fato, mas não é algo que lhes fique marcado. Depois que eles encontram quem deveriam, assumem uma personalidade próxima a do ser protegido e, nesse segundo, eles realmente nascem.
Os dois se viraram e falaram, em unissom, de costas pra nós.
- Atrás desta porta encontrarás muito do que tu precisas.
E nossos passos começaram.
O ouro refletiu a forte iluminação e por uns segundos o que vi foi apenas o branco. Após tê-lo passado, outro jardim foi revelado. Entramos.
Agora dentro, notei que o espeço ainda era maior do que pareceu. Entre arbustos e outros, haviam certas árvores de um porte um tanto maior, no centro, um círculo preenchido por gramíneas. O saguão de entrada era circular, sendo possível caminhada apenas pelo segmento interno, com excessão do meio. Às árvores foram dados ninhos dos mais variados tipos de pássaros, dos mais silvestres aos mais exóticos. Cores e cantos de toda sorte.
Ao norte, o trecho que era composto por jardim fora quebrado para dar espaço a uma evaginação do caminho que eu estava, bifurcando, cada um dando a outra porta. Enquanto olhava, dois deuses me apareceram. Korahi e Sahi se apresentaram, cada um saindo de um lado. O sol veio vestido de dourado fosco, em vestes longas, cobrindo o corpo frio de gelo. A lua chegara vestida de prata cinza, em vestes igualmente longas, cobrindo o corpo quente de fogo.
Sem uma palavra darem, olharam para o círculo central e esse se elevou. De lá, outro caminho.
Eles entraram primeiro e me chamaram, estendendo a mão, convidando-nos. Segui-os. Descemos por uma escada em espiral, que me foi de muito difícil caminhar. Culpa da labirintite.
Chegamos a um salão exatamente abaixo de onde estávamos, com a mesma circunferência, agora sendo diferenciada pelo tipo de flores que lá haviam e pela ausência de uma das portas. Junto às paredes, várias pinturas. Uma para cada deus.
- Há muito tempo esperávamos por vocês.
- Até por Manadel? Mas ele sempre esteve aqui.
- Não, essa é a primeira vez dele no Paraíso.
Olhei para Manadel sem entender e ele retribuiu meu olhar dizendo pelos olhos que eu veria o sentido.
- Os guardas não têm personalidade até que seja necessário e, enquanto isso não acontece, sua vida é meio inerte. Existe, de fato, mas não é algo que lhes fique marcado. Depois que eles encontram quem deveriam, assumem uma personalidade próxima a do ser protegido e, nesse segundo, eles realmente nascem.
Os dois se viraram e falaram, em unissom, de costas pra nós.
- Atrás desta porta encontrarás muito do que tu precisas.
E nossos passos começaram.
domingo, 6 de dezembro de 2009
A Atravessia. (?)
Restituido tudo que me era por natureza, prossegui em direção ao Paraíso, que assim pudera ser propriamente chamado, com Manadel ao meu lado, sem entender ao certo o motivo d'eu ainda me ser. A ponte, do começo ao fim, em cada centímetro, possuía escrições. Achei que fossem a Bíblia.
Estranho a primeira parte ser o Apocalipse.
A recepção Divina começa pelo fim.
À metade da ponte, ao lado da estátua, olhei para o colosso à minha frente. O Sol, que sempre estava naquela posição, agora, se escondeu atrás da torre mais alta. A fênix brilhava, irradiava moral, mostrando toda a potência do paraíso. Naquele canto, fiquei. Estagnado, fui vítima da impressão forte que foi oferecida.
Maravilhado com toda aquela imagem, tão linda, eu estava. E não me reconheci, pois sempre fui tendencioso ao Inferno e, agora, estava eu, frente ao Paraíso, olhando a mais forte glória do universo. E achando bonito.
Não havia necrofilia, não havia noite, não havia dor, apenas aquela imagem e meus olhos que brilhavam. Dessa vez, não por terem lágrimas.
Cobri minha face com as mãos, a toquei, apenas para me certificar de que eu não chorava. E o fato se cumprira. Olhei, a seguir, para os meus dedos e eles não tinham o anseio bêbado de escrever o que quer que fosse, minha boca não tinha a vontade doentia de gritar e minha falta de coração já não mais corria contra o tempo, não havia uma gota sequer de sangue escorrendo em mim. Estudei cada centímetro do meu corpo, queria saber se alguma outra mudança se manifestava ao visível. Aproveitei que percorria o lugar com a visão e a expandi para todo o resto, tirei-a de cima de mim e a lancei ao fundo dos Rios. A água corria transparente, cristalina.
Eu estava calmo, assim como todo o resto ambiental.
- O que é isso, Manadel? O que há de errado, ou melhor, de certo comigo?
- Sabes tu o que está prestes a acontecer, apenas não quer aceitar que isso tanto vá mudar-lhe o viver.
- Eu? Nada sei, senão o dia que se seguirá. Ou, talvez, nem isso.
- Você, em física, não. Mas tua consciência esguela-se dentro de ti.
Cada passo que agora fosse dado, seria concedido com mais esmero. Pois crescia em mim o poder de minhas faculdades e nunca estive tão alerta quanto naquele momento. Assimilei e decorei cada fato que se decorria naquela ponte.
O céu ainda se vivia sem as nuvens. Ergui minhas mãos e o que aconteceu após isso ninguém que viu entendeu:
Eu sorri.
Corri, como nunca corri antes e atravessei a outra metade mais rápido do que pude notar. Lá estava eu: na frente de uma entrada imensa, circunferida a ouro. O metal dos deuses. O jardim ao nosso lado estava repleto de lótus e orguídeas, sutilmente destruibuidas aproveitando ao máximo o local que era permitido. Iam de encontro da entrada até o final da ilha, que dava no precipício acima da curva que faziam os Rios. Manedel chegara logo depois, assustado com meus atos e sem entender o que eu fazia.
- Sei que sou a tua metade, mas ainda assusto-me com vossos atos.
Achei graça, mas dei de ombros.
Agora, ao eterno me lancei.
Estranho a primeira parte ser o Apocalipse.
A recepção Divina começa pelo fim.
À metade da ponte, ao lado da estátua, olhei para o colosso à minha frente. O Sol, que sempre estava naquela posição, agora, se escondeu atrás da torre mais alta. A fênix brilhava, irradiava moral, mostrando toda a potência do paraíso. Naquele canto, fiquei. Estagnado, fui vítima da impressão forte que foi oferecida.
Maravilhado com toda aquela imagem, tão linda, eu estava. E não me reconheci, pois sempre fui tendencioso ao Inferno e, agora, estava eu, frente ao Paraíso, olhando a mais forte glória do universo. E achando bonito.
Não havia necrofilia, não havia noite, não havia dor, apenas aquela imagem e meus olhos que brilhavam. Dessa vez, não por terem lágrimas.
Cobri minha face com as mãos, a toquei, apenas para me certificar de que eu não chorava. E o fato se cumprira. Olhei, a seguir, para os meus dedos e eles não tinham o anseio bêbado de escrever o que quer que fosse, minha boca não tinha a vontade doentia de gritar e minha falta de coração já não mais corria contra o tempo, não havia uma gota sequer de sangue escorrendo em mim. Estudei cada centímetro do meu corpo, queria saber se alguma outra mudança se manifestava ao visível. Aproveitei que percorria o lugar com a visão e a expandi para todo o resto, tirei-a de cima de mim e a lancei ao fundo dos Rios. A água corria transparente, cristalina.
Eu estava calmo, assim como todo o resto ambiental.
- O que é isso, Manadel? O que há de errado, ou melhor, de certo comigo?
- Sabes tu o que está prestes a acontecer, apenas não quer aceitar que isso tanto vá mudar-lhe o viver.
- Eu? Nada sei, senão o dia que se seguirá. Ou, talvez, nem isso.
- Você, em física, não. Mas tua consciência esguela-se dentro de ti.
Cada passo que agora fosse dado, seria concedido com mais esmero. Pois crescia em mim o poder de minhas faculdades e nunca estive tão alerta quanto naquele momento. Assimilei e decorei cada fato que se decorria naquela ponte.
O céu ainda se vivia sem as nuvens. Ergui minhas mãos e o que aconteceu após isso ninguém que viu entendeu:
Eu sorri.
Corri, como nunca corri antes e atravessei a outra metade mais rápido do que pude notar. Lá estava eu: na frente de uma entrada imensa, circunferida a ouro. O metal dos deuses. O jardim ao nosso lado estava repleto de lótus e orguídeas, sutilmente destruibuidas aproveitando ao máximo o local que era permitido. Iam de encontro da entrada até o final da ilha, que dava no precipício acima da curva que faziam os Rios. Manedel chegara logo depois, assustado com meus atos e sem entender o que eu fazia.
- Sei que sou a tua metade, mas ainda assusto-me com vossos atos.
Achei graça, mas dei de ombros.
Agora, ao eterno me lancei.
quinta-feira, 3 de dezembro de 2009
Os Portões.
Lentamente. E apresentaram uma fortaleza logo atrás. Colossal, com quatro torres de tamanho igual, duas de cada lado e uma torre maior ao centro, trazendo consigo uma fênix dourada no topo. Ao alto, um céu cheio de azul e nenhuma nuvem, apenas o Sol que iluminava forte a construção. Sua entrada era concebida por uma ponte de concreto, que ligava os portões à ilha voadora que encontrava-se o castelo, no meio da ponte, uma estátua de bronze. Ao longe vi e achei que fosse um querubim. Pelos lados, corriam dois rios, também grandiosos. À direita, um rio corria dos portões ao castelo, à esquerda, do castelo aos portões. Eram os Rios do Ciclo e representavam a eternidade do viver.
Manadel parou e disse que, ao atravessar o portão, meu corpo estaria indo ao encontro de outro plano e, possivelmente, não voltarei eu sendo como sou.
Respondi confessando não ter entendido o motivo desse acontecimento. Sua resposta foi clara:
- Ao adentrar em glorioso terreno, todos os teus pecados serão-lhe tirados.
- Quanto esse exorcismo me custará?
- O problema é que vocês, humanos, já nasceram prédestinados ao erro e, estes, por sua vez, acabam fundindo-se à personalidade.
Entendi o que me foi dito e confesso não ter tido coragem de dar o primeiro passo.
Fechei os olhos e respirei fundo. Veio-me à mente tudo que foi vivido no decorrer desse ano e, se ali estava, nada mais a perder eu teria.
E entrei.
O segundo passo foi impedido pelas luzes que acertaram meu corpo. Levantaram-me alguns metros dos chão e em pleno ar começaram a retirar tudo que não era permitido ali.
Vi passar diante dos meus olhos toda a minha imaginação masoquista, toda a sede vingativa que me alimenta, todo o temor... toda uma lista interminável de imperfeções.
Saíam de mim como peças de quebra-cabeças e se desfaziam no ar, deixando para trás apenas um pequeno pedaço de pele, que já era absorvido pelo solo da ponte.
Vagarosamente, fui devolvido ao chão da ponte. Respirei fundo e aconteceu algo que nenhum dos anjos pensou:
Tudo que havia saido, voltou ao meu corpo. Não perceberam o fato de eu estar vivo e necessitar de oxigênio. O ar perto de mim estava infectado por tudo que me foi tomado e, nesse respirar, voltaste tudo para meu ser.
Agora, é tarde demais. Já atravessara os portês e nada nem ninguém mudará esse curso.
Manadel parou e disse que, ao atravessar o portão, meu corpo estaria indo ao encontro de outro plano e, possivelmente, não voltarei eu sendo como sou.
Respondi confessando não ter entendido o motivo desse acontecimento. Sua resposta foi clara:
- Ao adentrar em glorioso terreno, todos os teus pecados serão-lhe tirados.
- Quanto esse exorcismo me custará?
- O problema é que vocês, humanos, já nasceram prédestinados ao erro e, estes, por sua vez, acabam fundindo-se à personalidade.
Entendi o que me foi dito e confesso não ter tido coragem de dar o primeiro passo.
Fechei os olhos e respirei fundo. Veio-me à mente tudo que foi vivido no decorrer desse ano e, se ali estava, nada mais a perder eu teria.
E entrei.
O segundo passo foi impedido pelas luzes que acertaram meu corpo. Levantaram-me alguns metros dos chão e em pleno ar começaram a retirar tudo que não era permitido ali.
Vi passar diante dos meus olhos toda a minha imaginação masoquista, toda a sede vingativa que me alimenta, todo o temor... toda uma lista interminável de imperfeções.
Saíam de mim como peças de quebra-cabeças e se desfaziam no ar, deixando para trás apenas um pequeno pedaço de pele, que já era absorvido pelo solo da ponte.
Vagarosamente, fui devolvido ao chão da ponte. Respirei fundo e aconteceu algo que nenhum dos anjos pensou:
Tudo que havia saido, voltou ao meu corpo. Não perceberam o fato de eu estar vivo e necessitar de oxigênio. O ar perto de mim estava infectado por tudo que me foi tomado e, nesse respirar, voltaste tudo para meu ser.
Agora, é tarde demais. Já atravessara os portês e nada nem ninguém mudará esse curso.
quarta-feira, 25 de novembro de 2009
A Montanha - O Purgatório.
Ao anjo, retornei. E seguimos o rumo da montanha.
Ela era ainda maior do que vira, percebi ter sido ilusão de ótica quando antes a olhara.
Estava recoberta de árvores, todas as copas bem munidas de folhas. Briófitas, pteridófitas, gimnospermas e angiospermas dividiam o espaço. As que podiam ser floridas, estavam. Com todas as cores, formas e tamanhos. De sua metade até seu topo, caminhamos e apreciamos a perfeição que a Natureza podia oferecer. Incrivelmente, àquela altura, haviam espécies vivendo e manifestando instintos. Não conhecia nenhuma, confesso e comentei com Manadel. Ele explicou que aquelas eram todas as que existiram, as que existem e as que virão a existir, em sua forma perfeita. Por isso só há um de cada, nem macho nem fêmea. Não sentiam fome nem ficavam com sede, apenas manifestavam um falso evoluir.
Ao chegar no topo, a primeira coisa que vi foram os Portões do Paraíso e as Grades do Inferno, esquerda e direita, respectivamente. Com seus representantes, lado a lado, atrás de um balcão com um livro no centro. O Livro da Vida. Lá estava o nome de todos que já respiraram, devidamente localizando o destino a seguir: subir ou descer.
O local era o Purgatório.
Cumprimentamos o santo e o demônio, e eles procuraram por meu nome. Era o primeiro e nenhum destino era designado. Olharam-me com espanto e falaram em latim antigo.
'Honoribus majorum'.
Não entendi ao certo, mas sei que remete aos Ancestrais. Mesmo que não saiba eu quais ancestrais sejam esses.
Os Portões se abriram.
Ela era ainda maior do que vira, percebi ter sido ilusão de ótica quando antes a olhara.
Estava recoberta de árvores, todas as copas bem munidas de folhas. Briófitas, pteridófitas, gimnospermas e angiospermas dividiam o espaço. As que podiam ser floridas, estavam. Com todas as cores, formas e tamanhos. De sua metade até seu topo, caminhamos e apreciamos a perfeição que a Natureza podia oferecer. Incrivelmente, àquela altura, haviam espécies vivendo e manifestando instintos. Não conhecia nenhuma, confesso e comentei com Manadel. Ele explicou que aquelas eram todas as que existiram, as que existem e as que virão a existir, em sua forma perfeita. Por isso só há um de cada, nem macho nem fêmea. Não sentiam fome nem ficavam com sede, apenas manifestavam um falso evoluir.
Ao chegar no topo, a primeira coisa que vi foram os Portões do Paraíso e as Grades do Inferno, esquerda e direita, respectivamente. Com seus representantes, lado a lado, atrás de um balcão com um livro no centro. O Livro da Vida. Lá estava o nome de todos que já respiraram, devidamente localizando o destino a seguir: subir ou descer.
O local era o Purgatório.
Cumprimentamos o santo e o demônio, e eles procuraram por meu nome. Era o primeiro e nenhum destino era designado. Olharam-me com espanto e falaram em latim antigo.
'Honoribus majorum'.
Não entendi ao certo, mas sei que remete aos Ancestrais. Mesmo que não saiba eu quais ancestrais sejam esses.
Os Portões se abriram.
sábado, 10 de outubro de 2009
O Fim da Ascensão. (reescrever)
Saindo da nimbus, nós continuamos a subir. Com as nuvens dançando no ar numa melodia que eu quase podia ouvir; deveria ser a loucura do meu pensamento tomando conta de mim. Logo percebi que não as havia mais, apenas o céu que já escurecia com uma montanha gigantesca à nossa frente.
- Devemos ir naquela direção. - disse-me Manadel, apontando ao cume.
E fomos.
Antes da chegada, senti um leve aroma vindo da minha esquerda. Olhei e vi dois pilares imensos. Perdi-os de vista, tanto para cima quanto para baixo. Ali mesmo parei, estudei, pensei e nada concluí, até que Manadel chegou para me dizer o que era. À minha frente, estavam os Pilares da Criação.
Dourados, grandiosos por si, rodeados por um tom de branco que nunca vi ser tão imperioso na minha vida. Mármore maçiço e, além de tudo, abrigo de fadas.
Não pude evitar e minha curiosidade, mais uma vez, falou mais alto. Quando menos percebi, já estava lá, nos Pilares, frente ao Pilar esquerdo.
Sentia um forte cheiro de hortelã, isso purificou minhas narinas. Algumas fadas vieram me cumprimentar, explicaram que elas eram as responsáveis pela criação de toda a flora e que, dali, saía toda a pureza que podia conter numa simples flor.
Rumando ao Pilar direito, mais fadas vieram me comprimentar.
Senti um forte cheiro de pelo, que me foi até um tanto ácido, devido ao vegetarianismo.
Dessa vez, elas pareciam Faunos e o eram de fato. Explicaram que eram responsáveis pela criação de toda a fauna e que, dali, saía toda a honestidade que podia conter numa simples borboleta.
Quis saber ainda mais, pois era notável estar ali a resposta da mais antiga pergunta do humano - mesmo que não lembrasse, eu ainda o era.
'Qual o sentido da vida?'
Elas, tanto a fauna quanto a flora, nessa hora, fecharam os lindos rostos e não me responderam. Apenas saíram de perto e voltaram ao local de onde vieram.
Fiquei olhando, com o Sol forte batendo em meu rosto, sem entender, procurando algo que fizesse sentido e, então, surgiram duas. Essas, por sua vez, já era mais iguais a mim, metricamente falando, mas ainda mantinham as características das menores, com excessão das coroas que traziam.
- O que tu queres saber? - disseram-me em unissom.
- Qual o sentido da vida?
- Achas que sois oráculo? - percebi uma certa sintonia entre os seres, pareciam interagir e, de alguma maneira, serem um só.
- Não, apenas curio o que sinto saber.
- A resposta - mais uma vez - está em ti, em cada um que possui um coração a bater e sonhos para realizar. Agora, vá. Vosso anjo já espera.
E se eu não sentisse meu coração bater?
E se meus sonhos já não colorissem mais o quadro da minha vida?
- Devemos ir naquela direção. - disse-me Manadel, apontando ao cume.
E fomos.
Antes da chegada, senti um leve aroma vindo da minha esquerda. Olhei e vi dois pilares imensos. Perdi-os de vista, tanto para cima quanto para baixo. Ali mesmo parei, estudei, pensei e nada concluí, até que Manadel chegou para me dizer o que era. À minha frente, estavam os Pilares da Criação.
Dourados, grandiosos por si, rodeados por um tom de branco que nunca vi ser tão imperioso na minha vida. Mármore maçiço e, além de tudo, abrigo de fadas.
Não pude evitar e minha curiosidade, mais uma vez, falou mais alto. Quando menos percebi, já estava lá, nos Pilares, frente ao Pilar esquerdo.
Sentia um forte cheiro de hortelã, isso purificou minhas narinas. Algumas fadas vieram me cumprimentar, explicaram que elas eram as responsáveis pela criação de toda a flora e que, dali, saía toda a pureza que podia conter numa simples flor.
Rumando ao Pilar direito, mais fadas vieram me comprimentar.
Senti um forte cheiro de pelo, que me foi até um tanto ácido, devido ao vegetarianismo.
Dessa vez, elas pareciam Faunos e o eram de fato. Explicaram que eram responsáveis pela criação de toda a fauna e que, dali, saía toda a honestidade que podia conter numa simples borboleta.
Quis saber ainda mais, pois era notável estar ali a resposta da mais antiga pergunta do humano - mesmo que não lembrasse, eu ainda o era.
'Qual o sentido da vida?'
Elas, tanto a fauna quanto a flora, nessa hora, fecharam os lindos rostos e não me responderam. Apenas saíram de perto e voltaram ao local de onde vieram.
Fiquei olhando, com o Sol forte batendo em meu rosto, sem entender, procurando algo que fizesse sentido e, então, surgiram duas. Essas, por sua vez, já era mais iguais a mim, metricamente falando, mas ainda mantinham as características das menores, com excessão das coroas que traziam.
- O que tu queres saber? - disseram-me em unissom.
- Qual o sentido da vida?
- Achas que sois oráculo? - percebi uma certa sintonia entre os seres, pareciam interagir e, de alguma maneira, serem um só.
- Não, apenas curio o que sinto saber.
- A resposta - mais uma vez - está em ti, em cada um que possui um coração a bater e sonhos para realizar. Agora, vá. Vosso anjo já espera.
E se eu não sentisse meu coração bater?
E se meus sonhos já não colorissem mais o quadro da minha vida?
quinta-feira, 8 de outubro de 2009
Ainda em ascensão.
Nuvens gloriosas vieram nos dar as boas vindas quando o Inferno ficara para trás. Dançavam na nossa presença e formavam desenhos que diziam o seu sentir. À medida que ganhávamos altura, notei que elas iam ficando mais velhas, transformando-se nas mais complexas nimbus que eu vi. Paramos sobre uma negra, facilmente notada, e lá nos deitamos.
O anjo disse que queria conhecer o meu mundo, a realidade, a física, e tudo o mais. Perdi-me dentro de mim, tive a confirmação de que a loucura me acertara. Se ele dizia isso, onde eu estava? Ou melhor, em qual plano eu estava? Seguindo seu semblante triste por saber que isso não era possível, a nuvem chorou suas mágoas. Ela me explicou que estávamos acima do que era real, que chuva era o pranto da divindade. Caminhei até a borda da nimbus e olhei para baixo. Lá de cima vi alguém que se afogava em mágoas e lhe avisei. O anjo desceu e trouxe aquela alma de volta a vida, devolveu-lhe a vontade de prosseguir.
Reconheci aquela cena: o desgraçado lá de baixo era eu.
Fiquei parado ali, sentado, olhando o que acontecia e lembrando de quando estava ali.
Agora entendi o que ele quis dizer quando tocou meu coração. Ele é meu ego, é ele a personificação da minha vontade de continuar.
Pouco tempo depois, ele subira.
- Manadel, esse é o seu nome.
- Como tu sabes?
- Eu não sei, apenas me veio à mente.
- Sim, é esse o meu nome.
E confirmou-se o que antigos diziam: anjos não têm sexo. A primeira vista, pareceu-me uma mulher, agora, seria um homem. Depois já não saberia mais.
O anjo disse que queria conhecer o meu mundo, a realidade, a física, e tudo o mais. Perdi-me dentro de mim, tive a confirmação de que a loucura me acertara. Se ele dizia isso, onde eu estava? Ou melhor, em qual plano eu estava? Seguindo seu semblante triste por saber que isso não era possível, a nuvem chorou suas mágoas. Ela me explicou que estávamos acima do que era real, que chuva era o pranto da divindade. Caminhei até a borda da nimbus e olhei para baixo. Lá de cima vi alguém que se afogava em mágoas e lhe avisei. O anjo desceu e trouxe aquela alma de volta a vida, devolveu-lhe a vontade de prosseguir.
Reconheci aquela cena: o desgraçado lá de baixo era eu.
Fiquei parado ali, sentado, olhando o que acontecia e lembrando de quando estava ali.
Agora entendi o que ele quis dizer quando tocou meu coração. Ele é meu ego, é ele a personificação da minha vontade de continuar.
Pouco tempo depois, ele subira.
- Manadel, esse é o seu nome.
- Como tu sabes?
- Eu não sei, apenas me veio à mente.
- Sim, é esse o meu nome.
E confirmou-se o que antigos diziam: anjos não têm sexo. A primeira vista, pareceu-me uma mulher, agora, seria um homem. Depois já não saberia mais.
quarta-feira, 16 de setembro de 2009
O Ascender.
Foi, então, que ela me apareceu, novamente.
Desceu dos céus, sendo seguida, lentamente, por demônios. Percebi que nenhum a atacava, assemelhou-se mais ser uma escolta.
A noite pareceu ter tomado vida enquanto o anjo vinha, lentamente, dançando no ar, trazendo consigo uma iluminação fraca que fazia com que ele brilhasse. E onde estava, eu fiquei. Não sabia qual reação deveria eu ter.
Quando ela chegou perto o bastante, estendeu a mão e a colossal janela que estava à minha frente se abriu. Caminhou sobre a água, com todos os cnidários rodando a superfície em que tocara e veio em minha direção. Os demônios não ousaram entrar no quarto.
Mais uma vez, estendeu a mão. Teatralmente, me chamou para ir com ela. Não sabia exatamente quem era, não sabia para onde iríamos, não sabia nada. Mas aceitei a proposta. No segundo em que me pus de pé, ela falou e sua voz anjelical me soou como uma lira, divina como só ela podia ser.
- Essa é uma certeza que lhe possui?
- Ainda não sei. Mas ouso dizer que essa vontade reside em mim.
- Por que?
- Porque eu já nem sei o que é realidade.
- E tu achas que a encontrará aqui, comigo, assim?
- Não sei. Mas acho que devo ir em direção da Luz.
E assim foi feito. Dispus-me a caminhar ao seu lado e o caminho que ela fez, nós retrocedemos. Dessa vez, sem a escolta. Ordenei, pois ainda era Imperador, que eles fossem avisar à minha Imperatriz que eu deixaria o Império. Voltaria depois, esperava eu, apenas não sabia quando nem como. E parti.
Àquela altura, a noite já era dia e eu nunca imaginei que o Inferno pudesse me parecer tão belo. Acho que a saudade ou a incerteza muda nossos olhos.
Desceu dos céus, sendo seguida, lentamente, por demônios. Percebi que nenhum a atacava, assemelhou-se mais ser uma escolta.
A noite pareceu ter tomado vida enquanto o anjo vinha, lentamente, dançando no ar, trazendo consigo uma iluminação fraca que fazia com que ele brilhasse. E onde estava, eu fiquei. Não sabia qual reação deveria eu ter.
Quando ela chegou perto o bastante, estendeu a mão e a colossal janela que estava à minha frente se abriu. Caminhou sobre a água, com todos os cnidários rodando a superfície em que tocara e veio em minha direção. Os demônios não ousaram entrar no quarto.
Mais uma vez, estendeu a mão. Teatralmente, me chamou para ir com ela. Não sabia exatamente quem era, não sabia para onde iríamos, não sabia nada. Mas aceitei a proposta. No segundo em que me pus de pé, ela falou e sua voz anjelical me soou como uma lira, divina como só ela podia ser.
- Essa é uma certeza que lhe possui?
- Ainda não sei. Mas ouso dizer que essa vontade reside em mim.
- Por que?
- Porque eu já nem sei o que é realidade.
- E tu achas que a encontrará aqui, comigo, assim?
- Não sei. Mas acho que devo ir em direção da Luz.
E assim foi feito. Dispus-me a caminhar ao seu lado e o caminho que ela fez, nós retrocedemos. Dessa vez, sem a escolta. Ordenei, pois ainda era Imperador, que eles fossem avisar à minha Imperatriz que eu deixaria o Império. Voltaria depois, esperava eu, apenas não sabia quando nem como. E parti.
Àquela altura, a noite já era dia e eu nunca imaginei que o Inferno pudesse me parecer tão belo. Acho que a saudade ou a incerteza muda nossos olhos.
quarta-feira, 9 de setembro de 2009
Monologar.
Exatamente como suspeitei.
Ter insônia é o veneno de quase todos os poetas e, ironicamente, é esse o veneno que me inspira. Para completar a equação, a insônia é o que me transforma em martírio.
Descobri que não posso ficar só, ainda mais se eu estiver rodeado das lágrimas que chorei, com elas cheias de animais que tanto me são gloriosos.
A merda dessa insônia me lembrou o quão fraco eu sou, o quão egoísta aparento ser e, no fundo, sou composto, foi no meu não dormir que eu, pela incontável vez, desejei o fim de tudo isso.
Como? Da maneira mais nobre possível: suicídio.
Mas para onde iria minha alma podre? Para o Inferno? Já me encontro aqui, já sou o imperador, já desafiei a minha imperatriz, já fiz tudo que não devia.
E agora? O que fazer?
Ter insônia é o veneno de quase todos os poetas e, ironicamente, é esse o veneno que me inspira. Para completar a equação, a insônia é o que me transforma em martírio.
Descobri que não posso ficar só, ainda mais se eu estiver rodeado das lágrimas que chorei, com elas cheias de animais que tanto me são gloriosos.
A merda dessa insônia me lembrou o quão fraco eu sou, o quão egoísta aparento ser e, no fundo, sou composto, foi no meu não dormir que eu, pela incontável vez, desejei o fim de tudo isso.
Como? Da maneira mais nobre possível: suicídio.
Mas para onde iria minha alma podre? Para o Inferno? Já me encontro aqui, já sou o imperador, já desafiei a minha imperatriz, já fiz tudo que não devia.
E agora? O que fazer?
quinta-feira, 27 de agosto de 2009
O Afogar.
Do sono ao pesadelo. Mexi-me para o lado e caí da cama, direto ao fundo do mar que chorei.
Afogando-me lentamente, pude ver as hidras e todos os outros cnidários que dançavam calmamente a dança da minha morte, entre eles passava rápido uma sereia, a mesma que recebia o nome que meus antepassados a deram, a mesma que fora amada como uma deusa. Notei que, ao fundo, vinha subindo, iluminada de branco, contrastando com o fundo ciano, da cor do próprio veneno, uma medusa de tamanho avantajado. Ela se aproximava de mim na medida que eu perdia o ar e somava meu choro à água que lá já estava. Mais uma vez, senti medo.
Quando estava no mesmo nível que eu, a Medusa parou e com um tentáculo urticante, me puxou para perto dela. A dor foi tamanha que gritei afogado e pude me ouvir. Com um tentáculo menor, ela tocou a minha testa, anestesiou-me e usou sua telepatia para dizer o quão fraco eu sou por chorar tanto. Imediatamente, engoli o choro, literalmente, engasgando-me um pouco.
- Se viver sendo irreal, cuidando de animais que não podem ouvir-me ou ver-me, por que seria tão complicado reinar onde todos existem de verdade e podem interagir com um simples mandamento teu?
- Eu já nem sei onde termino e recomeço.
- Como sempre tu ousa se esconder no teu sofrimento. Minha rainha também me abandonou, deixou tudo que teus olhos enxergam e até onde você não consegue decifrar para eu cuidar só. Dói, morro com tanta saudade, mas não desfaço-me.
- Não tenho nada a responder.
Tirando o tentáculo anestésico da minha pele, a dor voltara a ser suprema. Por uns segundos, Medusa me segurou apenas para ter certeza de que entendi o que ela quis dizer. Tomou verdade vendo como eu sofri calado. Subitamente, a dor sumiu e ele, sutilmente, levantou-me de volta para a cama, de onde o olhei sem saber o que poderia acontecer agora.
Fechei os olhos, mas tinha certeza de que não conseguiria dormir.
Afogando-me lentamente, pude ver as hidras e todos os outros cnidários que dançavam calmamente a dança da minha morte, entre eles passava rápido uma sereia, a mesma que recebia o nome que meus antepassados a deram, a mesma que fora amada como uma deusa. Notei que, ao fundo, vinha subindo, iluminada de branco, contrastando com o fundo ciano, da cor do próprio veneno, uma medusa de tamanho avantajado. Ela se aproximava de mim na medida que eu perdia o ar e somava meu choro à água que lá já estava. Mais uma vez, senti medo.
Quando estava no mesmo nível que eu, a Medusa parou e com um tentáculo urticante, me puxou para perto dela. A dor foi tamanha que gritei afogado e pude me ouvir. Com um tentáculo menor, ela tocou a minha testa, anestesiou-me e usou sua telepatia para dizer o quão fraco eu sou por chorar tanto. Imediatamente, engoli o choro, literalmente, engasgando-me um pouco.
- Se viver sendo irreal, cuidando de animais que não podem ouvir-me ou ver-me, por que seria tão complicado reinar onde todos existem de verdade e podem interagir com um simples mandamento teu?
- Eu já nem sei onde termino e recomeço.
- Como sempre tu ousa se esconder no teu sofrimento. Minha rainha também me abandonou, deixou tudo que teus olhos enxergam e até onde você não consegue decifrar para eu cuidar só. Dói, morro com tanta saudade, mas não desfaço-me.
- Não tenho nada a responder.
Tirando o tentáculo anestésico da minha pele, a dor voltara a ser suprema. Por uns segundos, Medusa me segurou apenas para ter certeza de que entendi o que ela quis dizer. Tomou verdade vendo como eu sofri calado. Subitamente, a dor sumiu e ele, sutilmente, levantou-me de volta para a cama, de onde o olhei sem saber o que poderia acontecer agora.
Fechei os olhos, mas tinha certeza de que não conseguiria dormir.
sábado, 15 de agosto de 2009
O Reacordar e um pouco d'O Ressurgir.
Do presente direto ao quarto. Lá, num piscar de olhos, lágrimas banhavam o medo e eu percebi o que estava acontecendo. Voltei para mim, recobrei a sanidade. E tudo que eu vivi momentos atrás pareceu uma eternidade distante.
Foi estranho acordar daquele estado de sonambulismo e perceber o que havia nas minhas mãos.
Mais uma vez, a Morte demonstrou calma, sentando-se ao meu lado na cama que parecia se alegrar com meu temor. Agora, sua divindade havia sido desfigurada, levando embora toda a grandiosidade, sendo naquele momento uma mera falsa-mortal, vestida com trapos e algumas dezenas de anos mais velha.
Eu não soube o que dizer e, por esse motivo, desconheço as palavras a serem usadas agora.
Lembro que foram mais de algumas horas naquela situação, sendo eu o infeliz que cuspia sentidos sem sequer ter uma direção para falar. Apesar disso, a Morte não saiu do meu lado.
Até que eu o pedi.
- Me deixe só.
- É o que queres?
- Tenho que falar outra vez para que tenhas certeza?
- Não se atreva a responder-me com esta ousadia.
- Cale a boca. Eu sou seu Imperador e tu há de obedecer-me, minha Imperatriz - disse com um leve tom de prazer por poder humilhá-la.
Ela olhou ao chão e eu senti, pela primeira vez, aquele ser se amaciar e, sutilmente, ela confessou:
- Eu amo você, desde a primeira vez que lhe vi e, mesmo assim, ainda ouço-lhe falando sobre suadade, sobre sofrer e, eu, que sofro e sinto saudades eternas por ti, crio soluções para teus sentires. E você some.
Na mesma sutileza, quase unindo minhas frases para abraçá-la, eu respondi:
- Saia, por favor.
E ela saiu.
Aqueles lençóis me serviram de proteção de mim mesmo. Deixei-me vivo apenas por saber que, pior que morrer para sempre, é viver todo dia e morrer um pouco a cada dormir. Mas o conforto da cama não seria o bastante para me livrar do mar que meu choro fez nem dos cnidários que vinham de encontro a mim quando eu me afogara.
Foi estranho acordar daquele estado de sonambulismo e perceber o que havia nas minhas mãos.
Mais uma vez, a Morte demonstrou calma, sentando-se ao meu lado na cama que parecia se alegrar com meu temor. Agora, sua divindade havia sido desfigurada, levando embora toda a grandiosidade, sendo naquele momento uma mera falsa-mortal, vestida com trapos e algumas dezenas de anos mais velha.
Eu não soube o que dizer e, por esse motivo, desconheço as palavras a serem usadas agora.
Lembro que foram mais de algumas horas naquela situação, sendo eu o infeliz que cuspia sentidos sem sequer ter uma direção para falar. Apesar disso, a Morte não saiu do meu lado.
Até que eu o pedi.
- Me deixe só.
- É o que queres?
- Tenho que falar outra vez para que tenhas certeza?
- Não se atreva a responder-me com esta ousadia.
- Cale a boca. Eu sou seu Imperador e tu há de obedecer-me, minha Imperatriz - disse com um leve tom de prazer por poder humilhá-la.
Ela olhou ao chão e eu senti, pela primeira vez, aquele ser se amaciar e, sutilmente, ela confessou:
- Eu amo você, desde a primeira vez que lhe vi e, mesmo assim, ainda ouço-lhe falando sobre suadade, sobre sofrer e, eu, que sofro e sinto saudades eternas por ti, crio soluções para teus sentires. E você some.
Na mesma sutileza, quase unindo minhas frases para abraçá-la, eu respondi:
- Saia, por favor.
E ela saiu.
Aqueles lençóis me serviram de proteção de mim mesmo. Deixei-me vivo apenas por saber que, pior que morrer para sempre, é viver todo dia e morrer um pouco a cada dormir. Mas o conforto da cama não seria o bastante para me livrar do mar que meu choro fez nem dos cnidários que vinham de encontro a mim quando eu me afogara.
quarta-feira, 15 de julho de 2009
A quebra para pensar e jogar-me longe de mim.
Por que estava eu entrelaçado em um sentimento assim? Por que por ela, por que eu? Por que desse modo?
E quanto à saudade que eu sinto?
E quanto meus monólogos sobre viver, sobre morrer, sobre sentir... o que serão deles, agora que tudo mudou de rota?
Mas que rota?
A linearidade nunca foi algo muito presente enquanto eu respiro, ainda mais quando o surreal leva para longe de mim o meu anélito fraco.
Eu estou no Inferno, onde está a normalidade? Isso tudo há de ser real? A Morte, a morte, a inveja de Lúcifer, as milongas que pensei, o poder que recebi... todo isso soou lisérgico demais quando parei para pensar.
Mas bastou tornar o foco da minha visão e perceber que tudo isso era real. O beijo que recebi terminara e, assim, continuaria a verdade sem sentido que me abraçava e tirava cada vez mais o resto de vida que havia em mim, logo restaria só o orgânico e, depois disso, os microorganismos se encarregariam da minha decomposição lenta.
E quanto à saudade que eu sinto?
E quanto meus monólogos sobre viver, sobre morrer, sobre sentir... o que serão deles, agora que tudo mudou de rota?
Mas que rota?
A linearidade nunca foi algo muito presente enquanto eu respiro, ainda mais quando o surreal leva para longe de mim o meu anélito fraco.
Eu estou no Inferno, onde está a normalidade? Isso tudo há de ser real? A Morte, a morte, a inveja de Lúcifer, as milongas que pensei, o poder que recebi... todo isso soou lisérgico demais quando parei para pensar.
Mas bastou tornar o foco da minha visão e perceber que tudo isso era real. O beijo que recebi terminara e, assim, continuaria a verdade sem sentido que me abraçava e tirava cada vez mais o resto de vida que havia em mim, logo restaria só o orgânico e, depois disso, os microorganismos se encarregariam da minha decomposição lenta.
segunda-feira, 13 de julho de 2009
O Acordar.
Levantei-me em um outro cômodo. Havia uma cama imensa e fria, na qual eu me encontrava, com lençóis negros, vários travisseiros e uma janela colossal que quase tocava o chão e quase beijava o teto. A Lua infernal, também grandiosa, radiava luminosidade dentro do quarto, jogando luz fraca exatamente no meio do colchão.
Um desgraçado, ao perceber que havia respiração falha vindo dali, entrou. Percebi que fosse um serviçal. Chegou trazendo vinho, chamou-me de Imperador e ajoelhou-se para entregar o que trouxera.
Estranhei.
Gostei do que ouvi e tremi perceber onde reinaria. O Inferno, agora, estava à minha disposição, muito mais do que eu precisava.
Levantei-me, andei em direção à porta. Chão frio, mármore glorioso. Saindo do quarto, ossos encontravam-se jogados aos cantos, aos montes, assim como os corpos putrefatos, também jogados. Senti, novamente, o cheiro forte de sangue e levei minhas mãos ao buraco onde encontrava-se um coração, fechando os olhos.
"Bem melhor sem que você pulse".
Um gole de vinho.
Ao repossuir visão, percebi que tochas iluminavam o corredor morto e criavam um caminho. Eu segui. Achei um saguão, no qual cheguei perto e, do alto, vi milhares de súditos abaixo, esperando por mim.
Demônios voavam, condenados grunhiam, anjos caídos lançavam maldições. O Inferno parara para me contemplar.
À minha esquerda, estava ela, vestida de branco, impecável: a Morte.
Minha respiração teimava em não achar ritmo enquanto aproximavam-se os corpos e os olhos fortes miravam meu rosto pálido. Quis que ela apenas sufocasse-me em um abraço e tomasse meu ar com um beijo, deixando-me ainda mais morto, mas, o que aconteceu, foi ainda melhor.
A Morte, a deusa que idolatro, ajoelhara-se perante mim, estendendo a Lança do Destino e o silêncio se fez presente.
Pelo canto do olho, percebi Lúcifer encarando-me com ódio, seus olhos queimavam na tentação de dilacerar-me ali mesmo.
Mais um gole de vinho, taça sob o parapeito.
Recebi a dádiva, sem entender, ao certo, o que significaria e a ergui.
- Ótimo que acordartes - falou-me a Morte - Bem vindo à teu Reino.
- O que tu serás minha? - perguntei-lhe, friamente.
- O que tu quiseres. -respondeu beijando minha boca.
E a Morte tonara-se alvo do meu amor, confirmando o que antes já foi dito.
Um desgraçado, ao perceber que havia respiração falha vindo dali, entrou. Percebi que fosse um serviçal. Chegou trazendo vinho, chamou-me de Imperador e ajoelhou-se para entregar o que trouxera.
Estranhei.
Gostei do que ouvi e tremi perceber onde reinaria. O Inferno, agora, estava à minha disposição, muito mais do que eu precisava.
Levantei-me, andei em direção à porta. Chão frio, mármore glorioso. Saindo do quarto, ossos encontravam-se jogados aos cantos, aos montes, assim como os corpos putrefatos, também jogados. Senti, novamente, o cheiro forte de sangue e levei minhas mãos ao buraco onde encontrava-se um coração, fechando os olhos.
"Bem melhor sem que você pulse".
Um gole de vinho.
Ao repossuir visão, percebi que tochas iluminavam o corredor morto e criavam um caminho. Eu segui. Achei um saguão, no qual cheguei perto e, do alto, vi milhares de súditos abaixo, esperando por mim.
Demônios voavam, condenados grunhiam, anjos caídos lançavam maldições. O Inferno parara para me contemplar.
À minha esquerda, estava ela, vestida de branco, impecável: a Morte.
Minha respiração teimava em não achar ritmo enquanto aproximavam-se os corpos e os olhos fortes miravam meu rosto pálido. Quis que ela apenas sufocasse-me em um abraço e tomasse meu ar com um beijo, deixando-me ainda mais morto, mas, o que aconteceu, foi ainda melhor.
A Morte, a deusa que idolatro, ajoelhara-se perante mim, estendendo a Lança do Destino e o silêncio se fez presente.
Pelo canto do olho, percebi Lúcifer encarando-me com ódio, seus olhos queimavam na tentação de dilacerar-me ali mesmo.
Mais um gole de vinho, taça sob o parapeito.
Recebi a dádiva, sem entender, ao certo, o que significaria e a ergui.
- Ótimo que acordartes - falou-me a Morte - Bem vindo à teu Reino.
- O que tu serás minha? - perguntei-lhe, friamente.
- O que tu quiseres. -respondeu beijando minha boca.
E a Morte tonara-se alvo do meu amor, confirmando o que antes já foi dito.
sexta-feira, 10 de julho de 2009
O Que Faria Sentido.
Eu não era vida, eu era ausência, eu fui carne, eu sou medo.
Caminhei, não tinha nada que pudesse ser tomado de mim.
Ouvia os gemidos dos que sofriam o eterno tormento infernal, sentia o gosto sulfúrico, que me faz bem, de sangue. Para todo lado, havia dor.
Borboletas escuras, tão negras quanto a tarja da minha droga favorita, voavam pra lá e pra cá, dizendo a presença que estava no ar: morte. Por uns segundos, o vazio que era meu coração acelerou, mostrando-me o desespero que ainda havia em mim.
Seguindo em frente, achei o rio que atravessa o Reino e seu Maestro: Aqueronte e Caronte, respectivamente. A travessia me foi de graça, ele sabia que eu estava ali por um motivo e não, simplesmente, por não mais viver. Após o rio, vem o guardião: Cérberus, negro como a própria trevas, olhos vermelhos como o ódio, com sua fome insaciável de almas, devorando condenados nos portões do Inferno e, logo, vomitando-os para completar o ciclo.
Na entrada, acima, havia 'tua vida será tomada e, nesse momento, serás sofrimento'.
Demônios me esperavam e abriram o caminho, senti que um deles me era familiar. O que voava mais alto, o que parecia ser mais forte e dominar os outros, veio perto de mim o bastante para que eu pudesse sentir o cheiro de enxofre que despregnava dele.
- Siga-me.
- Quem é você?
- Cala a boca e me siga.
- Por que?
- Porque você, ainda, não está aqui para toda a eternidade e, a não ser que o queira agora, é melhor que me obedeça. Sou Lúcifer e mando no que se mexe.
(*)Não o obedeci.
- Então porque viestes me receber?
- Terei imenso prazer em torturá-lhe para sempre, serei teu próprio temor - disse-me amargamente.
Ao longe, veio surgindo, linda como me era, apaixonante-me, como sempre foi.
-Chega! - disse a Morte - agora - sutilmente falando - siga-me, por favor.
(*)E eu fui.
Levou-me ao castelo, regido por anjos caídos e enfeitado com sangue e ossos. O céu negro ainda dominava a paisagem, com nuvens carregadas que pairavam por cima da construção colossal, demonstrando a tempestade que nunca chegaria.
Ela me disse que sabia da minha tendência àquele submundo, que admirava em mim o que não existia nos outros humanos. Eu não temia a morte, era apenas um submisso da saudade e um poeta que se encontrava perdido entre sentimentos, e ela sabia disso. Explicou que, por esse motivo, estaria à minha disposição, quando me fosse necessário, comensais da morte, para o que eu quisesse e para o que lhes fossem cabível.
Ao final de toda essa explicação, a Morte veio mais perto de mim.
O sanguão de entrada era estranhamente excitante com aqueles corpos jogados nos cantos e os enfeites macabros.
Ela me beijou.
Caminhei, não tinha nada que pudesse ser tomado de mim.
Ouvia os gemidos dos que sofriam o eterno tormento infernal, sentia o gosto sulfúrico, que me faz bem, de sangue. Para todo lado, havia dor.
Borboletas escuras, tão negras quanto a tarja da minha droga favorita, voavam pra lá e pra cá, dizendo a presença que estava no ar: morte. Por uns segundos, o vazio que era meu coração acelerou, mostrando-me o desespero que ainda havia em mim.
Seguindo em frente, achei o rio que atravessa o Reino e seu Maestro: Aqueronte e Caronte, respectivamente. A travessia me foi de graça, ele sabia que eu estava ali por um motivo e não, simplesmente, por não mais viver. Após o rio, vem o guardião: Cérberus, negro como a própria trevas, olhos vermelhos como o ódio, com sua fome insaciável de almas, devorando condenados nos portões do Inferno e, logo, vomitando-os para completar o ciclo.
Na entrada, acima, havia 'tua vida será tomada e, nesse momento, serás sofrimento'.
Demônios me esperavam e abriram o caminho, senti que um deles me era familiar. O que voava mais alto, o que parecia ser mais forte e dominar os outros, veio perto de mim o bastante para que eu pudesse sentir o cheiro de enxofre que despregnava dele.
- Siga-me.
- Quem é você?
- Cala a boca e me siga.
- Por que?
- Porque você, ainda, não está aqui para toda a eternidade e, a não ser que o queira agora, é melhor que me obedeça. Sou Lúcifer e mando no que se mexe.
(*)Não o obedeci.
- Então porque viestes me receber?
- Terei imenso prazer em torturá-lhe para sempre, serei teu próprio temor - disse-me amargamente.
Ao longe, veio surgindo, linda como me era, apaixonante-me, como sempre foi.
-Chega! - disse a Morte - agora - sutilmente falando - siga-me, por favor.
(*)E eu fui.
Levou-me ao castelo, regido por anjos caídos e enfeitado com sangue e ossos. O céu negro ainda dominava a paisagem, com nuvens carregadas que pairavam por cima da construção colossal, demonstrando a tempestade que nunca chegaria.
Ela me disse que sabia da minha tendência àquele submundo, que admirava em mim o que não existia nos outros humanos. Eu não temia a morte, era apenas um submisso da saudade e um poeta que se encontrava perdido entre sentimentos, e ela sabia disso. Explicou que, por esse motivo, estaria à minha disposição, quando me fosse necessário, comensais da morte, para o que eu quisesse e para o que lhes fossem cabível.
Ao final de toda essa explicação, a Morte veio mais perto de mim.
O sanguão de entrada era estranhamente excitante com aqueles corpos jogados nos cantos e os enfeites macabros.
Ela me beijou.
quinta-feira, 2 de julho de 2009
Sem artigo definido nem substantivos.
Uma luz branca, fortíssima, ainda fatigava minha mente. A tontura se fazia presente, parecia que havíamos rodado e eu senti uma força colossal apertar meu peito, doía para respirar.
- Para onde me levais?
- Aqui... sentirá-se em casa.
Logo percebi: meu peito doeu porque toda minha vida foi retirada. Pulmões, coração, rins, fígado, vasos e todo o resto apodreceram em um décimo quase interminável de segundo. Eu estava morto. Finalmente tive o que tentei. E meu fracasso se retraíu.
- Por que ao Inferno?
Vi, ao longe, a mesma paisagem que vi em meus sonhos.
- Aqui, encontra tua resposta. Todo o Mal está a lhe servir.
À frente, desgraçados sofrendo os castigos eternos gritavam como os condenados que eram. Isso me tirou de órbita e perdi a linha do raciocínio, mais uma vez.
- Vá, todo o Mal ajudará você.
- Para onde me levais?
- Aqui... sentirá-se em casa.
Logo percebi: meu peito doeu porque toda minha vida foi retirada. Pulmões, coração, rins, fígado, vasos e todo o resto apodreceram em um décimo quase interminável de segundo. Eu estava morto. Finalmente tive o que tentei. E meu fracasso se retraíu.
- Por que ao Inferno?
Vi, ao longe, a mesma paisagem que vi em meus sonhos.
- Aqui, encontra tua resposta. Todo o Mal está a lhe servir.
À frente, desgraçados sofrendo os castigos eternos gritavam como os condenados que eram. Isso me tirou de órbita e perdi a linha do raciocínio, mais uma vez.
- Vá, todo o Mal ajudará você.
O Fracasso.
Eu desisti, até morrer era algo difícil de me acontecer.
A Morte sequer apareceu.
Levei ao rosto as mãos sujas de sangue.
- Não, não, não!
Aproveitei a ação de estar ajoelhado e fiz a reação de me levantar pelo impulso.
Implorei ainda mais, jogando à frente e em desdém as mãos que queriam atenção, pedindo perdão ou um súbito final.
Algo que trouxesse o fim.
Fechei os olhos e não gostei do que vi quando os abri.
Eu virei a solidão exagerada, inexplicavelmente transformado na saudade que afoga em mágoas meu ser. Desejei tirar de mim essa pele, e o fiz, mesmo sendo algo repetido.
- Agora, o que farás se tua beleza estúpida deita no chão?
Eu não esperei resposta, afinal, a minha pergunta foi feita para à parte que se perdeu.
Célula por célula, tirei aquele traje pesado de mim, cobrindo todo o solo infértil da Casa e essa Casa, agora, se curvava ao outro lado, mostrava-me o céu, me temia.
Com toda aquela imensidão acima de meus olhos, as Nuvens olharam para mim, e choraram.
As horas não eram horas, eram rápidas demais, isso explicaria o crepúsculo avermelhado que transformava em sangue a água que do céu caía.
A pele jogada ao chão criou forma, exatamente como eu, mas sendo a pior parte de mim, a mesma parte que eu penso ser a melhor.
Não havia sustentação dentro dela, o que a fazia pender para um lado, com alguns pedaços faltando e outros rasgados.
Sua ausência de olhos olhou para os meus.
- Eu vi, menti, fingi não crer. Tu sofres porque tu queres, agora eu hei de lhe fazer sofrer por ser minha nova vontade.
- Eu sofro por sentir saudade, por esmagar meu corpo entre navalhas apertadas e não por querer.
- Desiste! No profundo desse amargo sentir, encontrará você e um motivo para sorrir. Desde que realmente queira fazer isso.
- O que eu quero, está muito longe de mim. Tenho certeza que nem a Lua nos olha ao mesmo tempo, tamanha distância.
Ele veio se aproximando, arrastando-se pelo chão, levantando, trabalhosamente, a mão esquerda, estendendo-me como quem chama à um passeio.
Eu aceitei.
E realmente foi para passear.
A Morte sequer apareceu.
Levei ao rosto as mãos sujas de sangue.
- Não, não, não!
Aproveitei a ação de estar ajoelhado e fiz a reação de me levantar pelo impulso.
Implorei ainda mais, jogando à frente e em desdém as mãos que queriam atenção, pedindo perdão ou um súbito final.
Algo que trouxesse o fim.
Fechei os olhos e não gostei do que vi quando os abri.
Eu virei a solidão exagerada, inexplicavelmente transformado na saudade que afoga em mágoas meu ser. Desejei tirar de mim essa pele, e o fiz, mesmo sendo algo repetido.
- Agora, o que farás se tua beleza estúpida deita no chão?
Eu não esperei resposta, afinal, a minha pergunta foi feita para à parte que se perdeu.
Célula por célula, tirei aquele traje pesado de mim, cobrindo todo o solo infértil da Casa e essa Casa, agora, se curvava ao outro lado, mostrava-me o céu, me temia.
Com toda aquela imensidão acima de meus olhos, as Nuvens olharam para mim, e choraram.
As horas não eram horas, eram rápidas demais, isso explicaria o crepúsculo avermelhado que transformava em sangue a água que do céu caía.
A pele jogada ao chão criou forma, exatamente como eu, mas sendo a pior parte de mim, a mesma parte que eu penso ser a melhor.
Não havia sustentação dentro dela, o que a fazia pender para um lado, com alguns pedaços faltando e outros rasgados.
Sua ausência de olhos olhou para os meus.
- Eu vi, menti, fingi não crer. Tu sofres porque tu queres, agora eu hei de lhe fazer sofrer por ser minha nova vontade.
- Eu sofro por sentir saudade, por esmagar meu corpo entre navalhas apertadas e não por querer.
- Desiste! No profundo desse amargo sentir, encontrará você e um motivo para sorrir. Desde que realmente queira fazer isso.
- O que eu quero, está muito longe de mim. Tenho certeza que nem a Lua nos olha ao mesmo tempo, tamanha distância.
Ele veio se aproximando, arrastando-se pelo chão, levantando, trabalhosamente, a mão esquerda, estendendo-me como quem chama à um passeio.
Eu aceitei.
E realmente foi para passear.
quinta-feira, 25 de junho de 2009
O Suicídio.
Papel, como as cartas que fiz e não tive resposta. Ou como as fotografias que envelheceram pela solidão ter virado presença.
Até as palavras perderam a ordem.
Uma pétala caiu.
E assumo que errei, que eu errei. Por isso eu gritei. Sabia que minha voz queria externar esse erro, mesmo que fosse dúbio o sentimento que havia em mim. E sem que eu soubesse que havia sido feito longe do certo.
Gritei alto, minha vida dependia disso.
Ergui minhas mãos em direção à primeira nuvem que passou, e gritei mais.
Balbuciei palavras de extremo desespero, desfiz a gramática, deixei tudo enfermo.
Trouxe os punhos do alto em direção ao meu peito, lentamente, dilacerando cada centímetro de carne que meus dedos pudessem tocar. Tentei chegar até meu coração, mas uma camada de osso impediu o meu desenho.
Derramei sangue, minhas células choraram.
Quis que fosse noite, quis que fosse trevas, que fosse tudo o mais dantesco possível.
Desgracei a minha existência proferindo uma maldição, tinha absoluta certeza de que a Morte me levaria naquele segundo,
mas não levou.
Pareceu que vivi aquele instante, somente, para sentir o amargo gosto de estar errado escorrendo por minha boca.
Gritei ainda mais.
Surgiu um plano de fundo musical na minha mente e atrelei o ritmo à arritmia acelerada que me fazia tentar arrancar minhas válvas. Não consegui.
Chamei pelo Inferno, nada apareceu.
Outra pétala caiu.
Chamei pelo Paraíso, nada apareceu.
Chamei, por entre orações, por todos os deuses que conhecia. O que recebi em troca foi um riso macabro vindo do nada, que cortou todo o meu canal auditivo, até eu ter um ataque de síncopes convulsas.
Gritei ainda mais.
Desacertei outras palavras que tanto me baseio para vangloriar abraços, desacertei mais batimentos cardíacos e perdi o ar.
Eu tentei o suicídio, abrindo meu peito em direção ao norte, mirando a morte e uma fonte onde os antigos sentiam medo ao atravessar.
Perdi os sentidos, todos eles, engasguei-me com o sangue que jorrava em meu rosto (e gostei do acontecimento).
Até que desmaiei, depois de errar tudo o que havia acontecido, ter perdido toda a linearidade dos fatos, ter feito da gramática a minha declaração alcóolatra em um dizer psicopata de um 'te amo'.
Outra pétala caiu.
Eu fracassei.
Até as palavras perderam a ordem.
Uma pétala caiu.
E assumo que errei, que eu errei. Por isso eu gritei. Sabia que minha voz queria externar esse erro, mesmo que fosse dúbio o sentimento que havia em mim. E sem que eu soubesse que havia sido feito longe do certo.
Gritei alto, minha vida dependia disso.
Ergui minhas mãos em direção à primeira nuvem que passou, e gritei mais.
Balbuciei palavras de extremo desespero, desfiz a gramática, deixei tudo enfermo.
Trouxe os punhos do alto em direção ao meu peito, lentamente, dilacerando cada centímetro de carne que meus dedos pudessem tocar. Tentei chegar até meu coração, mas uma camada de osso impediu o meu desenho.
Derramei sangue, minhas células choraram.
Quis que fosse noite, quis que fosse trevas, que fosse tudo o mais dantesco possível.
Desgracei a minha existência proferindo uma maldição, tinha absoluta certeza de que a Morte me levaria naquele segundo,
mas não levou.
Pareceu que vivi aquele instante, somente, para sentir o amargo gosto de estar errado escorrendo por minha boca.
Gritei ainda mais.
Surgiu um plano de fundo musical na minha mente e atrelei o ritmo à arritmia acelerada que me fazia tentar arrancar minhas válvas. Não consegui.
Chamei pelo Inferno, nada apareceu.
Outra pétala caiu.
Chamei pelo Paraíso, nada apareceu.
Chamei, por entre orações, por todos os deuses que conhecia. O que recebi em troca foi um riso macabro vindo do nada, que cortou todo o meu canal auditivo, até eu ter um ataque de síncopes convulsas.
Gritei ainda mais.
Desacertei outras palavras que tanto me baseio para vangloriar abraços, desacertei mais batimentos cardíacos e perdi o ar.
Eu tentei o suicídio, abrindo meu peito em direção ao norte, mirando a morte e uma fonte onde os antigos sentiam medo ao atravessar.
Perdi os sentidos, todos eles, engasguei-me com o sangue que jorrava em meu rosto (e gostei do acontecimento).
Até que desmaiei, depois de errar tudo o que havia acontecido, ter perdido toda a linearidade dos fatos, ter feito da gramática a minha declaração alcóolatra em um dizer psicopata de um 'te amo'.
Outra pétala caiu.
Eu fracassei.
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