Eu desisti, até morrer era algo difícil de me acontecer.
A Morte sequer apareceu.
Levei ao rosto as mãos sujas de sangue.
- Não, não, não!
Aproveitei a ação de estar ajoelhado e fiz a reação de me levantar pelo impulso.
Implorei ainda mais, jogando à frente e em desdém as mãos que queriam atenção, pedindo perdão ou um súbito final.
Algo que trouxesse o fim.
Fechei os olhos e não gostei do que vi quando os abri.
Eu virei a solidão exagerada, inexplicavelmente transformado na saudade que afoga em mágoas meu ser. Desejei tirar de mim essa pele, e o fiz, mesmo sendo algo repetido.
- Agora, o que farás se tua beleza estúpida deita no chão?
Eu não esperei resposta, afinal, a minha pergunta foi feita para à parte que se perdeu.
Célula por célula, tirei aquele traje pesado de mim, cobrindo todo o solo infértil da Casa e essa Casa, agora, se curvava ao outro lado, mostrava-me o céu, me temia.
Com toda aquela imensidão acima de meus olhos, as Nuvens olharam para mim, e choraram.
As horas não eram horas, eram rápidas demais, isso explicaria o crepúsculo avermelhado que transformava em sangue a água que do céu caía.
A pele jogada ao chão criou forma, exatamente como eu, mas sendo a pior parte de mim, a mesma parte que eu penso ser a melhor.
Não havia sustentação dentro dela, o que a fazia pender para um lado, com alguns pedaços faltando e outros rasgados.
Sua ausência de olhos olhou para os meus.
- Eu vi, menti, fingi não crer. Tu sofres porque tu queres, agora eu hei de lhe fazer sofrer por ser minha nova vontade.
- Eu sofro por sentir saudade, por esmagar meu corpo entre navalhas apertadas e não por querer.
- Desiste! No profundo desse amargo sentir, encontrará você e um motivo para sorrir. Desde que realmente queira fazer isso.
- O que eu quero, está muito longe de mim. Tenho certeza que nem a Lua nos olha ao mesmo tempo, tamanha distância.
Ele veio se aproximando, arrastando-se pelo chão, levantando, trabalhosamente, a mão esquerda, estendendo-me como quem chama à um passeio.
Eu aceitei.
E realmente foi para passear.
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