sábado, 10 de outubro de 2009

O Fim da Ascensão. (reescrever)

Saindo da nimbus, nós continuamos a subir. Com as nuvens dançando no ar numa melodia que eu quase podia ouvir; deveria ser a loucura do meu pensamento tomando conta de mim. Logo percebi que não as havia mais, apenas o céu que já escurecia com uma montanha gigantesca à nossa frente.
- Devemos ir naquela direção. - disse-me Manadel, apontando ao cume.
E fomos.
Antes da chegada, senti um leve aroma vindo da minha esquerda. Olhei e vi dois pilares imensos. Perdi-os de vista, tanto para cima quanto para baixo. Ali mesmo parei, estudei, pensei e nada concluí, até que Manadel chegou para me dizer o que era. À minha frente, estavam os Pilares da Criação.
Dourados, grandiosos por si, rodeados por um tom de branco que nunca vi ser tão imperioso na minha vida. Mármore maçiço e, além de tudo, abrigo de fadas.
Não pude evitar e minha curiosidade, mais uma vez, falou mais alto. Quando menos percebi, já estava lá, nos Pilares, frente ao Pilar esquerdo.
Sentia um forte cheiro de hortelã, isso purificou minhas narinas. Algumas fadas vieram me cumprimentar, explicaram que elas eram as responsáveis pela criação de toda a flora e que, dali, saía toda a pureza que podia conter numa simples flor.
Rumando ao Pilar direito, mais fadas vieram me comprimentar.
Senti um forte cheiro de pelo, que me foi até um tanto ácido, devido ao vegetarianismo.
Dessa vez, elas pareciam Faunos e o eram de fato. Explicaram que eram responsáveis pela criação de toda a fauna e que, dali, saía toda a honestidade que podia conter numa simples borboleta.
Quis saber ainda mais, pois era notável estar ali a resposta da mais antiga pergunta do humano - mesmo que não lembrasse, eu ainda o era.
'Qual o sentido da vida?'
Elas, tanto a fauna quanto a flora, nessa hora, fecharam os lindos rostos e não me responderam. Apenas saíram de perto e voltaram ao local de onde vieram.
Fiquei olhando, com o Sol forte batendo em meu rosto, sem entender, procurando algo que fizesse sentido e, então, surgiram duas. Essas, por sua vez, já era mais iguais a mim, metricamente falando, mas ainda mantinham as características das menores, com excessão das coroas que traziam.

- O que tu queres saber? - disseram-me em unissom.
- Qual o sentido da vida?
- Achas que sois oráculo? - percebi uma certa sintonia entre os seres, pareciam interagir e, de alguma maneira, serem um só.
- Não, apenas curio o que sinto saber.
- A resposta - mais uma vez - está em ti, em cada um que possui um coração a bater e sonhos para realizar. Agora, vá. Vosso anjo já espera.

E se eu não sentisse meu coração bater?
E se meus sonhos já não colorissem mais o quadro da minha vida?

Nenhum comentário:

Postar um comentário