quinta-feira, 27 de agosto de 2009

O Afogar.

Do sono ao pesadelo. Mexi-me para o lado e caí da cama, direto ao fundo do mar que chorei.
Afogando-me lentamente, pude ver as hidras e todos os outros cnidários que dançavam calmamente a dança da minha morte, entre eles passava rápido uma sereia, a mesma que recebia o nome que meus antepassados a deram, a mesma que fora amada como uma deusa. Notei que, ao fundo, vinha subindo, iluminada de branco, contrastando com o fundo ciano, da cor do próprio veneno, uma medusa de tamanho avantajado. Ela se aproximava de mim na medida que eu perdia o ar e somava meu choro à água que lá já estava. Mais uma vez, senti medo.
Quando estava no mesmo nível que eu, a Medusa parou e com um tentáculo urticante, me puxou para perto dela. A dor foi tamanha que gritei afogado e pude me ouvir. Com um tentáculo menor, ela tocou a minha testa, anestesiou-me e usou sua telepatia para dizer o quão fraco eu sou por chorar tanto. Imediatamente, engoli o choro, literalmente, engasgando-me um pouco.
- Se viver sendo irreal, cuidando de animais que não podem ouvir-me ou ver-me, por que seria tão complicado reinar onde todos existem de verdade e podem interagir com um simples mandamento teu?
- Eu já nem sei onde termino e recomeço.
- Como sempre tu ousa se esconder no teu sofrimento. Minha rainha também me abandonou, deixou tudo que teus olhos enxergam e até onde você não consegue decifrar para eu cuidar só. Dói, morro com tanta saudade, mas não desfaço-me.
- Não tenho nada a responder.

Tirando o tentáculo anestésico da minha pele, a dor voltara a ser suprema. Por uns segundos, Medusa me segurou apenas para ter certeza de que entendi o que ela quis dizer. Tomou verdade vendo como eu sofri calado. Subitamente, a dor sumiu e ele, sutilmente, levantou-me de volta para a cama, de onde o olhei sem saber o que poderia acontecer agora.

Fechei os olhos, mas tinha certeza de que não conseguiria dormir.

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