De volta no jardim de entrada, seguimos rumo em direção à porta da esquerda. Entramos.
De dentro do salão, notei que a outra porta também nos traria até aqui.
Era igualmente redondo e haviam 9 tronos. Em cada um, um respectivo deus. No trono central estava Mahyra. Os das pontas estavam vazios e logo foram ocupados por Sahi e Korahi.
Havia parede apenas atrás de mim, nas portas e, no resto, apenas um parapeito que chegava ao meu quadril. Logo, não havia teto. A vista, que se encontrava atrás dos deuses e à minha frente, era intérmina, mas notei que existiam montanhas no horizonte.
Nenhum deles se levantou ou sorriu, nenhum deles demonstrou qualquer coisa. E Mahyra falou.
- O que te trouxes até aqui?
- A loucura que mais me corrói.
- Diga.
- Descubra, Divino.
- Olhe no fundo dos meus olhos. - eu olhei.
Ao olhar profundo em sua íris, vi uma porta se fechar, e a reconheci. Imagens jogadas aleatoreamente, remetendo todas ao meu passado tão conturbado. Vi toda a minha história desabando em mim como se minha casa ruísse. E sei que ele também viu, sei que também notara tudo que eu passei para ter chegado àquela posição. Notei isso pelo jeito como me encarou depois que a ilusão acabou.
Após a encenação, levantou-se. Veio até mim. Olhando fixamente, sem piscar.
- A culpa, de todos os acontecimentos catastróficos, é inteiramente tua.
- Eu não lhe pedi opnião.
- Não é necessário que tu dê-me uma permissão para que o faça.
- Com a tua inércia, respondo-lhe de que não pedi uma explicação.
O deus aumentou o ego ao ponto de que fisicamente fosse notável e, junto dele, a sua voz.
- Estás em minha morada e ousas ser rude assim?
- Eu que rodei o mundo todo, os dois planos existenciais e fui recebido com ingratidão!
A densidade da atmosfera do salão começara a crescer e o ar se envergou na sua direção.
- Não fostes chamado! Viestes porque tu és fraco e o suicídio lhe foi concedido, pois a Morte estava cega por amor. Se não fosse por ela, nem isso terias conseguido.
- Falas como se soubesses de algo, falas como se já tivesses vivido aldo do gênero. Sou resultado da minha cólera emocional, sou resultado da ausência. Sou muito mais do que a tua perfeição pode enxergar.
- Eu sou a tua ausência, todos os outros desta sala o são. Então arrependa-se, porque estás diante de tudo que alega ser o motivo da tua vinda até aqui. Agora, os tem de volta, por que ainda põe-se no centro da vitimia?
E, nesse momento, eu notei que algo grandioso estaria prester a acontecer.
Assinar:
Postar comentários (Atom)
Nenhum comentário:
Postar um comentário