sexta-feira, 11 de dezembro de 2009

A Entrada.

Enquanto eu ainda observava a arquitetura que imperava, seguindo com a visão pelo caminho do jardim e Manadel terminava de se explicar, os portões se mexeram, abrindo-se lentamente, por completo.
O ouro refletiu a forte iluminação e por uns segundos o que vi foi apenas o branco. Após tê-lo passado, outro jardim foi revelado. Entramos.
Agora dentro, notei que o espeço ainda era maior do que pareceu. Entre arbustos e outros, haviam certas árvores de um porte um tanto maior, no centro, um círculo preenchido por gramíneas. O saguão de entrada era circular, sendo possível caminhada apenas pelo segmento interno, com excessão do meio. Às árvores foram dados ninhos dos mais variados tipos de pássaros, dos mais silvestres aos mais exóticos. Cores e cantos de toda sorte.
Ao norte, o trecho que era composto por jardim fora quebrado para dar espaço a uma evaginação do caminho que eu estava, bifurcando, cada um dando a outra porta. Enquanto olhava, dois deuses me apareceram. Korahi e Sahi se apresentaram, cada um saindo de um lado. O sol veio vestido de dourado fosco, em vestes longas, cobrindo o corpo frio de gelo. A lua chegara vestida de prata cinza, em vestes igualmente longas, cobrindo o corpo quente de fogo.
Sem uma palavra darem, olharam para o círculo central e esse se elevou. De lá, outro caminho.
Eles entraram primeiro e me chamaram, estendendo a mão, convidando-nos. Segui-os. Descemos por uma escada em espiral, que me foi de muito difícil caminhar. Culpa da labirintite.
Chegamos a um salão exatamente abaixo de onde estávamos, com a mesma circunferência, agora sendo diferenciada pelo tipo de flores que lá haviam e pela ausência de uma das portas. Junto às paredes, várias pinturas. Uma para cada deus.

- Há muito tempo esperávamos por vocês.
- Até por Manadel? Mas ele sempre esteve aqui.
- Não, essa é a primeira vez dele no Paraíso.
Olhei para Manadel sem entender e ele retribuiu meu olhar dizendo pelos olhos que eu veria o sentido.
- Os guardas não têm personalidade até que seja necessário e, enquanto isso não acontece, sua vida é meio inerte. Existe, de fato, mas não é algo que lhes fique marcado. Depois que eles encontram quem deveriam, assumem uma personalidade próxima a do ser protegido e, nesse segundo, eles realmente nascem.
Os dois se viraram e falaram, em unissom, de costas pra nós.
- Atrás desta porta encontrarás muito do que tu precisas.

E nossos passos começaram.

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