Restituido tudo que me era por natureza, prossegui em direção ao Paraíso, que assim pudera ser propriamente chamado, com Manadel ao meu lado, sem entender ao certo o motivo d'eu ainda me ser. A ponte, do começo ao fim, em cada centímetro, possuía escrições. Achei que fossem a Bíblia.
Estranho a primeira parte ser o Apocalipse.
A recepção Divina começa pelo fim.
À metade da ponte, ao lado da estátua, olhei para o colosso à minha frente. O Sol, que sempre estava naquela posição, agora, se escondeu atrás da torre mais alta. A fênix brilhava, irradiava moral, mostrando toda a potência do paraíso. Naquele canto, fiquei. Estagnado, fui vítima da impressão forte que foi oferecida.
Maravilhado com toda aquela imagem, tão linda, eu estava. E não me reconheci, pois sempre fui tendencioso ao Inferno e, agora, estava eu, frente ao Paraíso, olhando a mais forte glória do universo. E achando bonito.
Não havia necrofilia, não havia noite, não havia dor, apenas aquela imagem e meus olhos que brilhavam. Dessa vez, não por terem lágrimas.
Cobri minha face com as mãos, a toquei, apenas para me certificar de que eu não chorava. E o fato se cumprira. Olhei, a seguir, para os meus dedos e eles não tinham o anseio bêbado de escrever o que quer que fosse, minha boca não tinha a vontade doentia de gritar e minha falta de coração já não mais corria contra o tempo, não havia uma gota sequer de sangue escorrendo em mim. Estudei cada centímetro do meu corpo, queria saber se alguma outra mudança se manifestava ao visível. Aproveitei que percorria o lugar com a visão e a expandi para todo o resto, tirei-a de cima de mim e a lancei ao fundo dos Rios. A água corria transparente, cristalina.
Eu estava calmo, assim como todo o resto ambiental.
- O que é isso, Manadel? O que há de errado, ou melhor, de certo comigo?
- Sabes tu o que está prestes a acontecer, apenas não quer aceitar que isso tanto vá mudar-lhe o viver.
- Eu? Nada sei, senão o dia que se seguirá. Ou, talvez, nem isso.
- Você, em física, não. Mas tua consciência esguela-se dentro de ti.
Cada passo que agora fosse dado, seria concedido com mais esmero. Pois crescia em mim o poder de minhas faculdades e nunca estive tão alerta quanto naquele momento. Assimilei e decorei cada fato que se decorria naquela ponte.
O céu ainda se vivia sem as nuvens. Ergui minhas mãos e o que aconteceu após isso ninguém que viu entendeu:
Eu sorri.
Corri, como nunca corri antes e atravessei a outra metade mais rápido do que pude notar. Lá estava eu: na frente de uma entrada imensa, circunferida a ouro. O metal dos deuses. O jardim ao nosso lado estava repleto de lótus e orguídeas, sutilmente destruibuidas aproveitando ao máximo o local que era permitido. Iam de encontro da entrada até o final da ilha, que dava no precipício acima da curva que faziam os Rios. Manedel chegara logo depois, assustado com meus atos e sem entender o que eu fazia.
- Sei que sou a tua metade, mas ainda assusto-me com vossos atos.
Achei graça, mas dei de ombros.
Agora, ao eterno me lancei.
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