Foi, então, que ela me apareceu, novamente.
Desceu dos céus, sendo seguida, lentamente, por demônios. Percebi que nenhum a atacava, assemelhou-se mais ser uma escolta.
A noite pareceu ter tomado vida enquanto o anjo vinha, lentamente, dançando no ar, trazendo consigo uma iluminação fraca que fazia com que ele brilhasse. E onde estava, eu fiquei. Não sabia qual reação deveria eu ter.
Quando ela chegou perto o bastante, estendeu a mão e a colossal janela que estava à minha frente se abriu. Caminhou sobre a água, com todos os cnidários rodando a superfície em que tocara e veio em minha direção. Os demônios não ousaram entrar no quarto.
Mais uma vez, estendeu a mão. Teatralmente, me chamou para ir com ela. Não sabia exatamente quem era, não sabia para onde iríamos, não sabia nada. Mas aceitei a proposta. No segundo em que me pus de pé, ela falou e sua voz anjelical me soou como uma lira, divina como só ela podia ser.
- Essa é uma certeza que lhe possui?
- Ainda não sei. Mas ouso dizer que essa vontade reside em mim.
- Por que?
- Porque eu já nem sei o que é realidade.
- E tu achas que a encontrará aqui, comigo, assim?
- Não sei. Mas acho que devo ir em direção da Luz.
E assim foi feito. Dispus-me a caminhar ao seu lado e o caminho que ela fez, nós retrocedemos. Dessa vez, sem a escolta. Ordenei, pois ainda era Imperador, que eles fossem avisar à minha Imperatriz que eu deixaria o Império. Voltaria depois, esperava eu, apenas não sabia quando nem como. E parti.
Àquela altura, a noite já era dia e eu nunca imaginei que o Inferno pudesse me parecer tão belo. Acho que a saudade ou a incerteza muda nossos olhos.
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