quinta-feira, 8 de outubro de 2009

Ainda em ascensão.

Nuvens gloriosas vieram nos dar as boas vindas quando o Inferno ficara para trás. Dançavam na nossa presença e formavam desenhos que diziam o seu sentir. À medida que ganhávamos altura, notei que elas iam ficando mais velhas, transformando-se nas mais complexas nimbus que eu vi. Paramos sobre uma negra, facilmente notada, e lá nos deitamos.
O anjo disse que queria conhecer o meu mundo, a realidade, a física, e tudo o mais. Perdi-me dentro de mim, tive a confirmação de que a loucura me acertara. Se ele dizia isso, onde eu estava? Ou melhor, em qual plano eu estava? Seguindo seu semblante triste por saber que isso não era possível, a nuvem chorou suas mágoas. Ela me explicou que estávamos acima do que era real, que chuva era o pranto da divindade. Caminhei até a borda da nimbus e olhei para baixo. Lá de cima vi alguém que se afogava em mágoas e lhe avisei. O anjo desceu e trouxe aquela alma de volta a vida, devolveu-lhe a vontade de prosseguir.
Reconheci aquela cena: o desgraçado lá de baixo era eu.
Fiquei parado ali, sentado, olhando o que acontecia e lembrando de quando estava ali.
Agora entendi o que ele quis dizer quando tocou meu coração. Ele é meu ego, é ele a personificação da minha vontade de continuar.
Pouco tempo depois, ele subira.

- Manadel, esse é o seu nome.
- Como tu sabes?
- Eu não sei, apenas me veio à mente.
- Sim, é esse o meu nome.

E confirmou-se o que antigos diziam: anjos não têm sexo. A primeira vista, pareceu-me uma mulher, agora, seria um homem. Depois já não saberia mais.

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