Lá eu ainda estava: sozinho e sem saber quem eu era. Eu me fracassei e perdi meu ser dentro de mim. Sentei no chão.
Ainda chovia, o mesmo tom brilhoso imperava.
Os deuses ainda estavam ao meu redor, Manadel já estava de pé e não mais chorava. Pouco tempo depois, o sol surgiu, seguido da lua, um em cada extremo celeste. Metade do céu era dia, metade do céu era noite, o centro do céu era degradé.
Os astros assistiam do alto, enquanto vinham em minha direção as divindades. Agora, tudo era calmaria. Disseram-me, com serenidade, para eu me levantar, mas não tive forças. Mahyra veio um pouco mais perto de mim e se ajoelhou em minha frente, cobriu meu corpo com um abraço.
A chuma diminuira.
Não soube como reagir e notei que o espanto me foi traduzido pela face. Ele disse 'tenha calma, não lhe farei mal algum' e, vagarosamente, respondi o abraço dado.
Levantei-me, envergonhado e com sua ajuda. Não entendi como eles poderiam me tratar tão calmamente depois de tudo que eu disse, depois do que acabara de acontecer e, subitamente, me veio à mente 'errar é humando, perdoar é divino'. Entendi o que essa frase quis dizer, vivi o seu significado. Todos os deuses que lá estavam agiam como um só, tamanha era a sua fluidez e, por esse mesmo motivo, adquiriram uma só personalidade. A nova simbiose me restituiu aos poucos, falando que tudo isso estava perto do fim, que toda a dormência dolorosa estava quase alcançando o final.
Eu, solenemente, agradeci pela ajuda e pela poesia que fora dita, a mesma que eu não pude traduzir aqui. Como em um passe de mágica, tudo ficou em câmera lenta, inexplicavelmente iluminado com uma luz áurea. A consequência da queda seria o encontro com o Inferno, mas, antes que isso acontecesse, eu fui salvo. A mão, a mesma que demorei para enxergar, a mesma que sirgiu de uma síntese, me aliviou do desmoronamento.
Percebi que a chuva lavava meu ser e tudo era apenas uma prova, na qual espero eu ter passado.
O que era para ter sido meu desabamento acabou por ser a minha mais nova construção.
sábado, 19 de dezembro de 2009
terça-feira, 15 de dezembro de 2009
O Salão.
De volta no jardim de entrada, seguimos rumo em direção à porta da esquerda. Entramos.
De dentro do salão, notei que a outra porta também nos traria até aqui.
Era igualmente redondo e haviam 9 tronos. Em cada um, um respectivo deus. No trono central estava Mahyra. Os das pontas estavam vazios e logo foram ocupados por Sahi e Korahi.
Havia parede apenas atrás de mim, nas portas e, no resto, apenas um parapeito que chegava ao meu quadril. Logo, não havia teto. A vista, que se encontrava atrás dos deuses e à minha frente, era intérmina, mas notei que existiam montanhas no horizonte.
Nenhum deles se levantou ou sorriu, nenhum deles demonstrou qualquer coisa. E Mahyra falou.
- O que te trouxes até aqui?
- A loucura que mais me corrói.
- Diga.
- Descubra, Divino.
- Olhe no fundo dos meus olhos. - eu olhei.
Ao olhar profundo em sua íris, vi uma porta se fechar, e a reconheci. Imagens jogadas aleatoreamente, remetendo todas ao meu passado tão conturbado. Vi toda a minha história desabando em mim como se minha casa ruísse. E sei que ele também viu, sei que também notara tudo que eu passei para ter chegado àquela posição. Notei isso pelo jeito como me encarou depois que a ilusão acabou.
Após a encenação, levantou-se. Veio até mim. Olhando fixamente, sem piscar.
- A culpa, de todos os acontecimentos catastróficos, é inteiramente tua.
- Eu não lhe pedi opnião.
- Não é necessário que tu dê-me uma permissão para que o faça.
- Com a tua inércia, respondo-lhe de que não pedi uma explicação.
O deus aumentou o ego ao ponto de que fisicamente fosse notável e, junto dele, a sua voz.
- Estás em minha morada e ousas ser rude assim?
- Eu que rodei o mundo todo, os dois planos existenciais e fui recebido com ingratidão!
A densidade da atmosfera do salão começara a crescer e o ar se envergou na sua direção.
- Não fostes chamado! Viestes porque tu és fraco e o suicídio lhe foi concedido, pois a Morte estava cega por amor. Se não fosse por ela, nem isso terias conseguido.
- Falas como se soubesses de algo, falas como se já tivesses vivido aldo do gênero. Sou resultado da minha cólera emocional, sou resultado da ausência. Sou muito mais do que a tua perfeição pode enxergar.
- Eu sou a tua ausência, todos os outros desta sala o são. Então arrependa-se, porque estás diante de tudo que alega ser o motivo da tua vinda até aqui. Agora, os tem de volta, por que ainda põe-se no centro da vitimia?
E, nesse momento, eu notei que algo grandioso estaria prester a acontecer.
De dentro do salão, notei que a outra porta também nos traria até aqui.
Era igualmente redondo e haviam 9 tronos. Em cada um, um respectivo deus. No trono central estava Mahyra. Os das pontas estavam vazios e logo foram ocupados por Sahi e Korahi.
Havia parede apenas atrás de mim, nas portas e, no resto, apenas um parapeito que chegava ao meu quadril. Logo, não havia teto. A vista, que se encontrava atrás dos deuses e à minha frente, era intérmina, mas notei que existiam montanhas no horizonte.
Nenhum deles se levantou ou sorriu, nenhum deles demonstrou qualquer coisa. E Mahyra falou.
- O que te trouxes até aqui?
- A loucura que mais me corrói.
- Diga.
- Descubra, Divino.
- Olhe no fundo dos meus olhos. - eu olhei.
Ao olhar profundo em sua íris, vi uma porta se fechar, e a reconheci. Imagens jogadas aleatoreamente, remetendo todas ao meu passado tão conturbado. Vi toda a minha história desabando em mim como se minha casa ruísse. E sei que ele também viu, sei que também notara tudo que eu passei para ter chegado àquela posição. Notei isso pelo jeito como me encarou depois que a ilusão acabou.
Após a encenação, levantou-se. Veio até mim. Olhando fixamente, sem piscar.
- A culpa, de todos os acontecimentos catastróficos, é inteiramente tua.
- Eu não lhe pedi opnião.
- Não é necessário que tu dê-me uma permissão para que o faça.
- Com a tua inércia, respondo-lhe de que não pedi uma explicação.
O deus aumentou o ego ao ponto de que fisicamente fosse notável e, junto dele, a sua voz.
- Estás em minha morada e ousas ser rude assim?
- Eu que rodei o mundo todo, os dois planos existenciais e fui recebido com ingratidão!
A densidade da atmosfera do salão começara a crescer e o ar se envergou na sua direção.
- Não fostes chamado! Viestes porque tu és fraco e o suicídio lhe foi concedido, pois a Morte estava cega por amor. Se não fosse por ela, nem isso terias conseguido.
- Falas como se soubesses de algo, falas como se já tivesses vivido aldo do gênero. Sou resultado da minha cólera emocional, sou resultado da ausência. Sou muito mais do que a tua perfeição pode enxergar.
- Eu sou a tua ausência, todos os outros desta sala o são. Então arrependa-se, porque estás diante de tudo que alega ser o motivo da tua vinda até aqui. Agora, os tem de volta, por que ainda põe-se no centro da vitimia?
E, nesse momento, eu notei que algo grandioso estaria prester a acontecer.
A Revelação. (lembra que houve quebra)
Subitamente, toda a verdade me acertou. E naquele momento eu sucumbi aos céus, redundantemente. Sabia que choraria por ter completado o ciclo, mas estranhei me ver aos prantos, clamando por meu próprio réu. E esse sou eu.
Joguei minhas mãos em direção às divindades, sumplicava pelo término do meu sofrer. Ajoelhado, de cabeça baixa, suspirei um poema que nem eu mesmo entendi, sequer soube ao certo o que dizer. Alguns deles vinham em minha direção e, antes que pudessem chegar perto, eu me levantei.
- Não! Chega! Não existirá mais deuses para resumir aquela composição! Não existirá mais glória, não existirá mais nada. Nada!
Levantei as mãos ao astro, apontanto na direção do sol.
- Você! Não brilhe mais. Não mereces ser a iluminação do meu caminho. - a lua se mostrou, assustada, tentando consolar o sol. - Você também! Não serás mais a inspiração que me surge às noites. Nem poema nem maestria. Não me serão nada.
E os dois se puseram a chorar, fazendo com que as nuvens se tornassem pesadas de lágrimas e trouxeram a escuridão. Olharam-me com os olhos de quem não entendem nada e quebraram o círculo prata.
Nesse segundo, o universo morreu.
A tempestade de tristeza já começava a demonstrar potência e aumentou toda a atmosfera de ódio.
E os deuses ficaram bravos, logo tornaram maiores os egos e vieram para minha frente. As mãos que estavam para cima desceram, na mesma velocidade que eu mirava neles a minha visão. Os palmos eu lhes mostrei. Fiz sinal para que parassem.
- Vocês também não! Deixem de achar que são a perfeitos. Não terão mais os meus olhos bêbados para tanto os fazer crescer. Não me importa se agora serei completado com dor ou com arrependimento, não me importa se quebro a promessa com os senhores do destino. - Manadel estava jogado no chão, olhando-me, sem acreditar no que estava acontecendo. Ele chorava, desesperado. - E vos visto, agora, com todas as faces de qualquer praga. E desejo que esta mesma praga seja a controle a minha vida!
A tormenta começava a cair. Chovia as lágrias do sol e da lua, chovia prata, chovia lindo, contrastando o espetáculo que acontecia abaixo. As nuvens se encontravam em círculo logo acima do salão, tenho para mim que um pouco mais de vento, dali, nasceria um tornado.
- E que essa chuva alimente ainda mais a loucura que me rouba os ares, que se misture rápido à água que sai de mim, que me corroa como ácido. Porque é isso que eu quero! Alguém me traga o fim, alguém me apresente à morte física e não à loucura! E que todos vocês caiam em ruínas esquecidas. Eu serei apenas para mim.
Joguei minhas mãos em direção às divindades, sumplicava pelo término do meu sofrer. Ajoelhado, de cabeça baixa, suspirei um poema que nem eu mesmo entendi, sequer soube ao certo o que dizer. Alguns deles vinham em minha direção e, antes que pudessem chegar perto, eu me levantei.
- Não! Chega! Não existirá mais deuses para resumir aquela composição! Não existirá mais glória, não existirá mais nada. Nada!
Levantei as mãos ao astro, apontanto na direção do sol.
- Você! Não brilhe mais. Não mereces ser a iluminação do meu caminho. - a lua se mostrou, assustada, tentando consolar o sol. - Você também! Não serás mais a inspiração que me surge às noites. Nem poema nem maestria. Não me serão nada.
E os dois se puseram a chorar, fazendo com que as nuvens se tornassem pesadas de lágrimas e trouxeram a escuridão. Olharam-me com os olhos de quem não entendem nada e quebraram o círculo prata.
Nesse segundo, o universo morreu.
A tempestade de tristeza já começava a demonstrar potência e aumentou toda a atmosfera de ódio.
E os deuses ficaram bravos, logo tornaram maiores os egos e vieram para minha frente. As mãos que estavam para cima desceram, na mesma velocidade que eu mirava neles a minha visão. Os palmos eu lhes mostrei. Fiz sinal para que parassem.
- Vocês também não! Deixem de achar que são a perfeitos. Não terão mais os meus olhos bêbados para tanto os fazer crescer. Não me importa se agora serei completado com dor ou com arrependimento, não me importa se quebro a promessa com os senhores do destino. - Manadel estava jogado no chão, olhando-me, sem acreditar no que estava acontecendo. Ele chorava, desesperado. - E vos visto, agora, com todas as faces de qualquer praga. E desejo que esta mesma praga seja a controle a minha vida!
A tormenta começava a cair. Chovia as lágrias do sol e da lua, chovia prata, chovia lindo, contrastando o espetáculo que acontecia abaixo. As nuvens se encontravam em círculo logo acima do salão, tenho para mim que um pouco mais de vento, dali, nasceria um tornado.
- E que essa chuva alimente ainda mais a loucura que me rouba os ares, que se misture rápido à água que sai de mim, que me corroa como ácido. Porque é isso que eu quero! Alguém me traga o fim, alguém me apresente à morte física e não à loucura! E que todos vocês caiam em ruínas esquecidas. Eu serei apenas para mim.
sábado, 12 de dezembro de 2009
As Salas.
Cada passo que nascia era atrelado ao medo e eu tremi todos na linha que eu criei para seguir. Respirei fundo quando cheguei perto da porta e só soltei o ar quando a abri pro completo. Mas confesso não ter olhado para dentro no primeiro segundo que tive, pois os olhos eu fechei.
A sala era um cubo branco com uma luz de teto, apenas isso. Entrei e Manadel me seguiu. Olhei para trás, para a porta, queria saber se os deuses vinham, mas eles apenas fecharam a porta.
Ao me virar para o centro da sala, percebi que surgira uma mesa, uma cadeira e um cigarro junto ao cinzeiro com o isqueiro.
Há inspiração no Paraíso.
Manadel se dirigiu à cadeira cadeira, a puxou e sentou. Encostei-me na parede e nada disse, nada pensei, nada fiz.
O primeiro cigarro aceso foi dele.
Após um minuto de silêncio, percorri todo o perímentro da sala e vi que as paredes brancas pediam por enfeites. Precisava colocar ali algo que marcasse a minha presença, quis desenhar. Junto do pensamento me surgiu a mão um pincel. No mesmo local que me foi dado, parei e passei a riscá-la. De começo, estrelas. Depois stratus, rostos e frases. Manadel ainda fumava.
Fiquei impaciente, no mesmo instante que ele também e trocamos de posição. Sentei-me na mesa, acendi um cigarro e me pus a observá-lo. Era tão hiperativo quanto eu e logo se colocou a rabiscar as paredes. Começou pelas frases que eu não entendia. Depois criou rostos que não tinham sexo, spissatus e constelações.
Ele realmente era eu.
Quebrando toda a atmosfera de silêncio e levando a fumaça do cigarro embora, a porta se abriu e os deuses se apresentaram, nos convidando a sair.
- Isso nunca antes acontecera. É fato de que nenhum outro humano chegara até aqui, mas sabíamos por sua índole que tentaria sair de lá.
- Não pensei nisso um segundo sequer.
- É exatamente esta a parte que nos deixa inquieto mas, apesar disso, você encontrou uma parte da resposta. Por isso, nos siga.
Novamente, o centro era outra escada, que dava a outro círculo abaixo de nós, formando uma terceira coluna que se encaixava perfeitamente no superior. Essa escada também me fora complicada pelo mesmo motivo da anterior.
Seu jardim, por sua vez, não era um jardim. Onde deveria haver plantas, havia água com peixes de cores discretas, ilumidos por lâmpadas, também discretas, dentro da água. A formação era a mesma, mas não haviam portas.
- O que tu sentes aqui?
- Que falta algo.
- E falta de verdade. Agora, vamos achar a falta.
Depois de tanto descer, subimos. No primeiro jardim, chegamos.
A sala era um cubo branco com uma luz de teto, apenas isso. Entrei e Manadel me seguiu. Olhei para trás, para a porta, queria saber se os deuses vinham, mas eles apenas fecharam a porta.
Ao me virar para o centro da sala, percebi que surgira uma mesa, uma cadeira e um cigarro junto ao cinzeiro com o isqueiro.
Há inspiração no Paraíso.
Manadel se dirigiu à cadeira cadeira, a puxou e sentou. Encostei-me na parede e nada disse, nada pensei, nada fiz.
O primeiro cigarro aceso foi dele.
Após um minuto de silêncio, percorri todo o perímentro da sala e vi que as paredes brancas pediam por enfeites. Precisava colocar ali algo que marcasse a minha presença, quis desenhar. Junto do pensamento me surgiu a mão um pincel. No mesmo local que me foi dado, parei e passei a riscá-la. De começo, estrelas. Depois stratus, rostos e frases. Manadel ainda fumava.
Fiquei impaciente, no mesmo instante que ele também e trocamos de posição. Sentei-me na mesa, acendi um cigarro e me pus a observá-lo. Era tão hiperativo quanto eu e logo se colocou a rabiscar as paredes. Começou pelas frases que eu não entendia. Depois criou rostos que não tinham sexo, spissatus e constelações.
Ele realmente era eu.
Quebrando toda a atmosfera de silêncio e levando a fumaça do cigarro embora, a porta se abriu e os deuses se apresentaram, nos convidando a sair.
- Isso nunca antes acontecera. É fato de que nenhum outro humano chegara até aqui, mas sabíamos por sua índole que tentaria sair de lá.
- Não pensei nisso um segundo sequer.
- É exatamente esta a parte que nos deixa inquieto mas, apesar disso, você encontrou uma parte da resposta. Por isso, nos siga.
Novamente, o centro era outra escada, que dava a outro círculo abaixo de nós, formando uma terceira coluna que se encaixava perfeitamente no superior. Essa escada também me fora complicada pelo mesmo motivo da anterior.
Seu jardim, por sua vez, não era um jardim. Onde deveria haver plantas, havia água com peixes de cores discretas, ilumidos por lâmpadas, também discretas, dentro da água. A formação era a mesma, mas não haviam portas.
- O que tu sentes aqui?
- Que falta algo.
- E falta de verdade. Agora, vamos achar a falta.
Depois de tanto descer, subimos. No primeiro jardim, chegamos.
sexta-feira, 11 de dezembro de 2009
A Entrada.
Enquanto eu ainda observava a arquitetura que imperava, seguindo com a visão pelo caminho do jardim e Manadel terminava de se explicar, os portões se mexeram, abrindo-se lentamente, por completo.
O ouro refletiu a forte iluminação e por uns segundos o que vi foi apenas o branco. Após tê-lo passado, outro jardim foi revelado. Entramos.
Agora dentro, notei que o espeço ainda era maior do que pareceu. Entre arbustos e outros, haviam certas árvores de um porte um tanto maior, no centro, um círculo preenchido por gramíneas. O saguão de entrada era circular, sendo possível caminhada apenas pelo segmento interno, com excessão do meio. Às árvores foram dados ninhos dos mais variados tipos de pássaros, dos mais silvestres aos mais exóticos. Cores e cantos de toda sorte.
Ao norte, o trecho que era composto por jardim fora quebrado para dar espaço a uma evaginação do caminho que eu estava, bifurcando, cada um dando a outra porta. Enquanto olhava, dois deuses me apareceram. Korahi e Sahi se apresentaram, cada um saindo de um lado. O sol veio vestido de dourado fosco, em vestes longas, cobrindo o corpo frio de gelo. A lua chegara vestida de prata cinza, em vestes igualmente longas, cobrindo o corpo quente de fogo.
Sem uma palavra darem, olharam para o círculo central e esse se elevou. De lá, outro caminho.
Eles entraram primeiro e me chamaram, estendendo a mão, convidando-nos. Segui-os. Descemos por uma escada em espiral, que me foi de muito difícil caminhar. Culpa da labirintite.
Chegamos a um salão exatamente abaixo de onde estávamos, com a mesma circunferência, agora sendo diferenciada pelo tipo de flores que lá haviam e pela ausência de uma das portas. Junto às paredes, várias pinturas. Uma para cada deus.
- Há muito tempo esperávamos por vocês.
- Até por Manadel? Mas ele sempre esteve aqui.
- Não, essa é a primeira vez dele no Paraíso.
Olhei para Manadel sem entender e ele retribuiu meu olhar dizendo pelos olhos que eu veria o sentido.
- Os guardas não têm personalidade até que seja necessário e, enquanto isso não acontece, sua vida é meio inerte. Existe, de fato, mas não é algo que lhes fique marcado. Depois que eles encontram quem deveriam, assumem uma personalidade próxima a do ser protegido e, nesse segundo, eles realmente nascem.
Os dois se viraram e falaram, em unissom, de costas pra nós.
- Atrás desta porta encontrarás muito do que tu precisas.
E nossos passos começaram.
O ouro refletiu a forte iluminação e por uns segundos o que vi foi apenas o branco. Após tê-lo passado, outro jardim foi revelado. Entramos.
Agora dentro, notei que o espeço ainda era maior do que pareceu. Entre arbustos e outros, haviam certas árvores de um porte um tanto maior, no centro, um círculo preenchido por gramíneas. O saguão de entrada era circular, sendo possível caminhada apenas pelo segmento interno, com excessão do meio. Às árvores foram dados ninhos dos mais variados tipos de pássaros, dos mais silvestres aos mais exóticos. Cores e cantos de toda sorte.
Ao norte, o trecho que era composto por jardim fora quebrado para dar espaço a uma evaginação do caminho que eu estava, bifurcando, cada um dando a outra porta. Enquanto olhava, dois deuses me apareceram. Korahi e Sahi se apresentaram, cada um saindo de um lado. O sol veio vestido de dourado fosco, em vestes longas, cobrindo o corpo frio de gelo. A lua chegara vestida de prata cinza, em vestes igualmente longas, cobrindo o corpo quente de fogo.
Sem uma palavra darem, olharam para o círculo central e esse se elevou. De lá, outro caminho.
Eles entraram primeiro e me chamaram, estendendo a mão, convidando-nos. Segui-os. Descemos por uma escada em espiral, que me foi de muito difícil caminhar. Culpa da labirintite.
Chegamos a um salão exatamente abaixo de onde estávamos, com a mesma circunferência, agora sendo diferenciada pelo tipo de flores que lá haviam e pela ausência de uma das portas. Junto às paredes, várias pinturas. Uma para cada deus.
- Há muito tempo esperávamos por vocês.
- Até por Manadel? Mas ele sempre esteve aqui.
- Não, essa é a primeira vez dele no Paraíso.
Olhei para Manadel sem entender e ele retribuiu meu olhar dizendo pelos olhos que eu veria o sentido.
- Os guardas não têm personalidade até que seja necessário e, enquanto isso não acontece, sua vida é meio inerte. Existe, de fato, mas não é algo que lhes fique marcado. Depois que eles encontram quem deveriam, assumem uma personalidade próxima a do ser protegido e, nesse segundo, eles realmente nascem.
Os dois se viraram e falaram, em unissom, de costas pra nós.
- Atrás desta porta encontrarás muito do que tu precisas.
E nossos passos começaram.
domingo, 6 de dezembro de 2009
A Atravessia. (?)
Restituido tudo que me era por natureza, prossegui em direção ao Paraíso, que assim pudera ser propriamente chamado, com Manadel ao meu lado, sem entender ao certo o motivo d'eu ainda me ser. A ponte, do começo ao fim, em cada centímetro, possuía escrições. Achei que fossem a Bíblia.
Estranho a primeira parte ser o Apocalipse.
A recepção Divina começa pelo fim.
À metade da ponte, ao lado da estátua, olhei para o colosso à minha frente. O Sol, que sempre estava naquela posição, agora, se escondeu atrás da torre mais alta. A fênix brilhava, irradiava moral, mostrando toda a potência do paraíso. Naquele canto, fiquei. Estagnado, fui vítima da impressão forte que foi oferecida.
Maravilhado com toda aquela imagem, tão linda, eu estava. E não me reconheci, pois sempre fui tendencioso ao Inferno e, agora, estava eu, frente ao Paraíso, olhando a mais forte glória do universo. E achando bonito.
Não havia necrofilia, não havia noite, não havia dor, apenas aquela imagem e meus olhos que brilhavam. Dessa vez, não por terem lágrimas.
Cobri minha face com as mãos, a toquei, apenas para me certificar de que eu não chorava. E o fato se cumprira. Olhei, a seguir, para os meus dedos e eles não tinham o anseio bêbado de escrever o que quer que fosse, minha boca não tinha a vontade doentia de gritar e minha falta de coração já não mais corria contra o tempo, não havia uma gota sequer de sangue escorrendo em mim. Estudei cada centímetro do meu corpo, queria saber se alguma outra mudança se manifestava ao visível. Aproveitei que percorria o lugar com a visão e a expandi para todo o resto, tirei-a de cima de mim e a lancei ao fundo dos Rios. A água corria transparente, cristalina.
Eu estava calmo, assim como todo o resto ambiental.
- O que é isso, Manadel? O que há de errado, ou melhor, de certo comigo?
- Sabes tu o que está prestes a acontecer, apenas não quer aceitar que isso tanto vá mudar-lhe o viver.
- Eu? Nada sei, senão o dia que se seguirá. Ou, talvez, nem isso.
- Você, em física, não. Mas tua consciência esguela-se dentro de ti.
Cada passo que agora fosse dado, seria concedido com mais esmero. Pois crescia em mim o poder de minhas faculdades e nunca estive tão alerta quanto naquele momento. Assimilei e decorei cada fato que se decorria naquela ponte.
O céu ainda se vivia sem as nuvens. Ergui minhas mãos e o que aconteceu após isso ninguém que viu entendeu:
Eu sorri.
Corri, como nunca corri antes e atravessei a outra metade mais rápido do que pude notar. Lá estava eu: na frente de uma entrada imensa, circunferida a ouro. O metal dos deuses. O jardim ao nosso lado estava repleto de lótus e orguídeas, sutilmente destruibuidas aproveitando ao máximo o local que era permitido. Iam de encontro da entrada até o final da ilha, que dava no precipício acima da curva que faziam os Rios. Manedel chegara logo depois, assustado com meus atos e sem entender o que eu fazia.
- Sei que sou a tua metade, mas ainda assusto-me com vossos atos.
Achei graça, mas dei de ombros.
Agora, ao eterno me lancei.
Estranho a primeira parte ser o Apocalipse.
A recepção Divina começa pelo fim.
À metade da ponte, ao lado da estátua, olhei para o colosso à minha frente. O Sol, que sempre estava naquela posição, agora, se escondeu atrás da torre mais alta. A fênix brilhava, irradiava moral, mostrando toda a potência do paraíso. Naquele canto, fiquei. Estagnado, fui vítima da impressão forte que foi oferecida.
Maravilhado com toda aquela imagem, tão linda, eu estava. E não me reconheci, pois sempre fui tendencioso ao Inferno e, agora, estava eu, frente ao Paraíso, olhando a mais forte glória do universo. E achando bonito.
Não havia necrofilia, não havia noite, não havia dor, apenas aquela imagem e meus olhos que brilhavam. Dessa vez, não por terem lágrimas.
Cobri minha face com as mãos, a toquei, apenas para me certificar de que eu não chorava. E o fato se cumprira. Olhei, a seguir, para os meus dedos e eles não tinham o anseio bêbado de escrever o que quer que fosse, minha boca não tinha a vontade doentia de gritar e minha falta de coração já não mais corria contra o tempo, não havia uma gota sequer de sangue escorrendo em mim. Estudei cada centímetro do meu corpo, queria saber se alguma outra mudança se manifestava ao visível. Aproveitei que percorria o lugar com a visão e a expandi para todo o resto, tirei-a de cima de mim e a lancei ao fundo dos Rios. A água corria transparente, cristalina.
Eu estava calmo, assim como todo o resto ambiental.
- O que é isso, Manadel? O que há de errado, ou melhor, de certo comigo?
- Sabes tu o que está prestes a acontecer, apenas não quer aceitar que isso tanto vá mudar-lhe o viver.
- Eu? Nada sei, senão o dia que se seguirá. Ou, talvez, nem isso.
- Você, em física, não. Mas tua consciência esguela-se dentro de ti.
Cada passo que agora fosse dado, seria concedido com mais esmero. Pois crescia em mim o poder de minhas faculdades e nunca estive tão alerta quanto naquele momento. Assimilei e decorei cada fato que se decorria naquela ponte.
O céu ainda se vivia sem as nuvens. Ergui minhas mãos e o que aconteceu após isso ninguém que viu entendeu:
Eu sorri.
Corri, como nunca corri antes e atravessei a outra metade mais rápido do que pude notar. Lá estava eu: na frente de uma entrada imensa, circunferida a ouro. O metal dos deuses. O jardim ao nosso lado estava repleto de lótus e orguídeas, sutilmente destruibuidas aproveitando ao máximo o local que era permitido. Iam de encontro da entrada até o final da ilha, que dava no precipício acima da curva que faziam os Rios. Manedel chegara logo depois, assustado com meus atos e sem entender o que eu fazia.
- Sei que sou a tua metade, mas ainda assusto-me com vossos atos.
Achei graça, mas dei de ombros.
Agora, ao eterno me lancei.
quinta-feira, 3 de dezembro de 2009
Os Portões.
Lentamente. E apresentaram uma fortaleza logo atrás. Colossal, com quatro torres de tamanho igual, duas de cada lado e uma torre maior ao centro, trazendo consigo uma fênix dourada no topo. Ao alto, um céu cheio de azul e nenhuma nuvem, apenas o Sol que iluminava forte a construção. Sua entrada era concebida por uma ponte de concreto, que ligava os portões à ilha voadora que encontrava-se o castelo, no meio da ponte, uma estátua de bronze. Ao longe vi e achei que fosse um querubim. Pelos lados, corriam dois rios, também grandiosos. À direita, um rio corria dos portões ao castelo, à esquerda, do castelo aos portões. Eram os Rios do Ciclo e representavam a eternidade do viver.
Manadel parou e disse que, ao atravessar o portão, meu corpo estaria indo ao encontro de outro plano e, possivelmente, não voltarei eu sendo como sou.
Respondi confessando não ter entendido o motivo desse acontecimento. Sua resposta foi clara:
- Ao adentrar em glorioso terreno, todos os teus pecados serão-lhe tirados.
- Quanto esse exorcismo me custará?
- O problema é que vocês, humanos, já nasceram prédestinados ao erro e, estes, por sua vez, acabam fundindo-se à personalidade.
Entendi o que me foi dito e confesso não ter tido coragem de dar o primeiro passo.
Fechei os olhos e respirei fundo. Veio-me à mente tudo que foi vivido no decorrer desse ano e, se ali estava, nada mais a perder eu teria.
E entrei.
O segundo passo foi impedido pelas luzes que acertaram meu corpo. Levantaram-me alguns metros dos chão e em pleno ar começaram a retirar tudo que não era permitido ali.
Vi passar diante dos meus olhos toda a minha imaginação masoquista, toda a sede vingativa que me alimenta, todo o temor... toda uma lista interminável de imperfeções.
Saíam de mim como peças de quebra-cabeças e se desfaziam no ar, deixando para trás apenas um pequeno pedaço de pele, que já era absorvido pelo solo da ponte.
Vagarosamente, fui devolvido ao chão da ponte. Respirei fundo e aconteceu algo que nenhum dos anjos pensou:
Tudo que havia saido, voltou ao meu corpo. Não perceberam o fato de eu estar vivo e necessitar de oxigênio. O ar perto de mim estava infectado por tudo que me foi tomado e, nesse respirar, voltaste tudo para meu ser.
Agora, é tarde demais. Já atravessara os portês e nada nem ninguém mudará esse curso.
Manadel parou e disse que, ao atravessar o portão, meu corpo estaria indo ao encontro de outro plano e, possivelmente, não voltarei eu sendo como sou.
Respondi confessando não ter entendido o motivo desse acontecimento. Sua resposta foi clara:
- Ao adentrar em glorioso terreno, todos os teus pecados serão-lhe tirados.
- Quanto esse exorcismo me custará?
- O problema é que vocês, humanos, já nasceram prédestinados ao erro e, estes, por sua vez, acabam fundindo-se à personalidade.
Entendi o que me foi dito e confesso não ter tido coragem de dar o primeiro passo.
Fechei os olhos e respirei fundo. Veio-me à mente tudo que foi vivido no decorrer desse ano e, se ali estava, nada mais a perder eu teria.
E entrei.
O segundo passo foi impedido pelas luzes que acertaram meu corpo. Levantaram-me alguns metros dos chão e em pleno ar começaram a retirar tudo que não era permitido ali.
Vi passar diante dos meus olhos toda a minha imaginação masoquista, toda a sede vingativa que me alimenta, todo o temor... toda uma lista interminável de imperfeções.
Saíam de mim como peças de quebra-cabeças e se desfaziam no ar, deixando para trás apenas um pequeno pedaço de pele, que já era absorvido pelo solo da ponte.
Vagarosamente, fui devolvido ao chão da ponte. Respirei fundo e aconteceu algo que nenhum dos anjos pensou:
Tudo que havia saido, voltou ao meu corpo. Não perceberam o fato de eu estar vivo e necessitar de oxigênio. O ar perto de mim estava infectado por tudo que me foi tomado e, nesse respirar, voltaste tudo para meu ser.
Agora, é tarde demais. Já atravessara os portês e nada nem ninguém mudará esse curso.
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