Subitamente, toda a verdade me acertou. E naquele momento eu sucumbi aos céus, redundantemente. Sabia que choraria por ter completado o ciclo, mas estranhei me ver aos prantos, clamando por meu próprio réu. E esse sou eu.
Joguei minhas mãos em direção às divindades, sumplicava pelo término do meu sofrer. Ajoelhado, de cabeça baixa, suspirei um poema que nem eu mesmo entendi, sequer soube ao certo o que dizer. Alguns deles vinham em minha direção e, antes que pudessem chegar perto, eu me levantei.
- Não! Chega! Não existirá mais deuses para resumir aquela composição! Não existirá mais glória, não existirá mais nada. Nada!
Levantei as mãos ao astro, apontanto na direção do sol.
- Você! Não brilhe mais. Não mereces ser a iluminação do meu caminho. - a lua se mostrou, assustada, tentando consolar o sol. - Você também! Não serás mais a inspiração que me surge às noites. Nem poema nem maestria. Não me serão nada.
E os dois se puseram a chorar, fazendo com que as nuvens se tornassem pesadas de lágrimas e trouxeram a escuridão. Olharam-me com os olhos de quem não entendem nada e quebraram o círculo prata.
Nesse segundo, o universo morreu.
A tempestade de tristeza já começava a demonstrar potência e aumentou toda a atmosfera de ódio.
E os deuses ficaram bravos, logo tornaram maiores os egos e vieram para minha frente. As mãos que estavam para cima desceram, na mesma velocidade que eu mirava neles a minha visão. Os palmos eu lhes mostrei. Fiz sinal para que parassem.
- Vocês também não! Deixem de achar que são a perfeitos. Não terão mais os meus olhos bêbados para tanto os fazer crescer. Não me importa se agora serei completado com dor ou com arrependimento, não me importa se quebro a promessa com os senhores do destino. - Manadel estava jogado no chão, olhando-me, sem acreditar no que estava acontecendo. Ele chorava, desesperado. - E vos visto, agora, com todas as faces de qualquer praga. E desejo que esta mesma praga seja a controle a minha vida!
A tormenta começava a cair. Chovia as lágrias do sol e da lua, chovia prata, chovia lindo, contrastando o espetáculo que acontecia abaixo. As nuvens se encontravam em círculo logo acima do salão, tenho para mim que um pouco mais de vento, dali, nasceria um tornado.
- E que essa chuva alimente ainda mais a loucura que me rouba os ares, que se misture rápido à água que sai de mim, que me corroa como ácido. Porque é isso que eu quero! Alguém me traga o fim, alguém me apresente à morte física e não à loucura! E que todos vocês caiam em ruínas esquecidas. Eu serei apenas para mim.
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