segunda-feira, 13 de julho de 2009

O Acordar.

Levantei-me em um outro cômodo. Havia uma cama imensa e fria, na qual eu me encontrava, com lençóis negros, vários travisseiros e uma janela colossal que quase tocava o chão e quase beijava o teto. A Lua infernal, também grandiosa, radiava luminosidade dentro do quarto, jogando luz fraca exatamente no meio do colchão.
Um desgraçado, ao perceber que havia respiração falha vindo dali, entrou. Percebi que fosse um serviçal. Chegou trazendo vinho, chamou-me de Imperador e ajoelhou-se para entregar o que trouxera.
Estranhei.
Gostei do que ouvi e tremi perceber onde reinaria. O Inferno, agora, estava à minha disposição, muito mais do que eu precisava.
Levantei-me, andei em direção à porta. Chão frio, mármore glorioso. Saindo do quarto, ossos encontravam-se jogados aos cantos, aos montes, assim como os corpos putrefatos, também jogados. Senti, novamente, o cheiro forte de sangue e levei minhas mãos ao buraco onde encontrava-se um coração, fechando os olhos.
"Bem melhor sem que você pulse".
Um gole de vinho.
Ao repossuir visão, percebi que tochas iluminavam o corredor morto e criavam um caminho. Eu segui. Achei um saguão, no qual cheguei perto e, do alto, vi milhares de súditos abaixo, esperando por mim.
Demônios voavam, condenados grunhiam, anjos caídos lançavam maldições. O Inferno parara para me contemplar.
À minha esquerda, estava ela, vestida de branco, impecável: a Morte.
Minha respiração teimava em não achar ritmo enquanto aproximavam-se os corpos e os olhos fortes miravam meu rosto pálido. Quis que ela apenas sufocasse-me em um abraço e tomasse meu ar com um beijo, deixando-me ainda mais morto, mas, o que aconteceu, foi ainda melhor.
A Morte, a deusa que idolatro, ajoelhara-se perante mim, estendendo a Lança do Destino e o silêncio se fez presente.
Pelo canto do olho, percebi Lúcifer encarando-me com ódio, seus olhos queimavam na tentação de dilacerar-me ali mesmo.
Mais um gole de vinho, taça sob o parapeito.
Recebi a dádiva, sem entender, ao certo, o que significaria e a ergui.
- Ótimo que acordartes - falou-me a Morte - Bem vindo à teu Reino.
- O que tu serás minha? - perguntei-lhe, friamente.
- O que tu quiseres. -respondeu beijando minha boca.

E a Morte tonara-se alvo do meu amor, confirmando o que antes já foi dito.

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