Lá eu ainda estava: sozinho e sem saber quem eu era. Eu me fracassei e perdi meu ser dentro de mim. Sentei no chão.
Ainda chovia, o mesmo tom brilhoso imperava.
Os deuses ainda estavam ao meu redor, Manadel já estava de pé e não mais chorava. Pouco tempo depois, o sol surgiu, seguido da lua, um em cada extremo celeste. Metade do céu era dia, metade do céu era noite, o centro do céu era degradé.
Os astros assistiam do alto, enquanto vinham em minha direção as divindades. Agora, tudo era calmaria. Disseram-me, com serenidade, para eu me levantar, mas não tive forças. Mahyra veio um pouco mais perto de mim e se ajoelhou em minha frente, cobriu meu corpo com um abraço.
A chuma diminuira.
Não soube como reagir e notei que o espanto me foi traduzido pela face. Ele disse 'tenha calma, não lhe farei mal algum' e, vagarosamente, respondi o abraço dado.
Levantei-me, envergonhado e com sua ajuda. Não entendi como eles poderiam me tratar tão calmamente depois de tudo que eu disse, depois do que acabara de acontecer e, subitamente, me veio à mente 'errar é humando, perdoar é divino'. Entendi o que essa frase quis dizer, vivi o seu significado. Todos os deuses que lá estavam agiam como um só, tamanha era a sua fluidez e, por esse mesmo motivo, adquiriram uma só personalidade. A nova simbiose me restituiu aos poucos, falando que tudo isso estava perto do fim, que toda a dormência dolorosa estava quase alcançando o final.
Eu, solenemente, agradeci pela ajuda e pela poesia que fora dita, a mesma que eu não pude traduzir aqui. Como em um passe de mágica, tudo ficou em câmera lenta, inexplicavelmente iluminado com uma luz áurea. A consequência da queda seria o encontro com o Inferno, mas, antes que isso acontecesse, eu fui salvo. A mão, a mesma que demorei para enxergar, a mesma que sirgiu de uma síntese, me aliviou do desmoronamento.
Percebi que a chuva lavava meu ser e tudo era apenas uma prova, na qual espero eu ter passado.
O que era para ter sido meu desabamento acabou por ser a minha mais nova construção.
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