Ao anjo, retornei. E seguimos o rumo da montanha.
Ela era ainda maior do que vira, percebi ter sido ilusão de ótica quando antes a olhara.
Estava recoberta de árvores, todas as copas bem munidas de folhas. Briófitas, pteridófitas, gimnospermas e angiospermas dividiam o espaço. As que podiam ser floridas, estavam. Com todas as cores, formas e tamanhos. De sua metade até seu topo, caminhamos e apreciamos a perfeição que a Natureza podia oferecer. Incrivelmente, àquela altura, haviam espécies vivendo e manifestando instintos. Não conhecia nenhuma, confesso e comentei com Manadel. Ele explicou que aquelas eram todas as que existiram, as que existem e as que virão a existir, em sua forma perfeita. Por isso só há um de cada, nem macho nem fêmea. Não sentiam fome nem ficavam com sede, apenas manifestavam um falso evoluir.
Ao chegar no topo, a primeira coisa que vi foram os Portões do Paraíso e as Grades do Inferno, esquerda e direita, respectivamente. Com seus representantes, lado a lado, atrás de um balcão com um livro no centro. O Livro da Vida. Lá estava o nome de todos que já respiraram, devidamente localizando o destino a seguir: subir ou descer.
O local era o Purgatório.
Cumprimentamos o santo e o demônio, e eles procuraram por meu nome. Era o primeiro e nenhum destino era designado. Olharam-me com espanto e falaram em latim antigo.
'Honoribus majorum'.
Não entendi ao certo, mas sei que remete aos Ancestrais. Mesmo que não saiba eu quais ancestrais sejam esses.
Os Portões se abriram.
quarta-feira, 25 de novembro de 2009
sábado, 10 de outubro de 2009
O Fim da Ascensão. (reescrever)
Saindo da nimbus, nós continuamos a subir. Com as nuvens dançando no ar numa melodia que eu quase podia ouvir; deveria ser a loucura do meu pensamento tomando conta de mim. Logo percebi que não as havia mais, apenas o céu que já escurecia com uma montanha gigantesca à nossa frente.
- Devemos ir naquela direção. - disse-me Manadel, apontando ao cume.
E fomos.
Antes da chegada, senti um leve aroma vindo da minha esquerda. Olhei e vi dois pilares imensos. Perdi-os de vista, tanto para cima quanto para baixo. Ali mesmo parei, estudei, pensei e nada concluí, até que Manadel chegou para me dizer o que era. À minha frente, estavam os Pilares da Criação.
Dourados, grandiosos por si, rodeados por um tom de branco que nunca vi ser tão imperioso na minha vida. Mármore maçiço e, além de tudo, abrigo de fadas.
Não pude evitar e minha curiosidade, mais uma vez, falou mais alto. Quando menos percebi, já estava lá, nos Pilares, frente ao Pilar esquerdo.
Sentia um forte cheiro de hortelã, isso purificou minhas narinas. Algumas fadas vieram me cumprimentar, explicaram que elas eram as responsáveis pela criação de toda a flora e que, dali, saía toda a pureza que podia conter numa simples flor.
Rumando ao Pilar direito, mais fadas vieram me comprimentar.
Senti um forte cheiro de pelo, que me foi até um tanto ácido, devido ao vegetarianismo.
Dessa vez, elas pareciam Faunos e o eram de fato. Explicaram que eram responsáveis pela criação de toda a fauna e que, dali, saía toda a honestidade que podia conter numa simples borboleta.
Quis saber ainda mais, pois era notável estar ali a resposta da mais antiga pergunta do humano - mesmo que não lembrasse, eu ainda o era.
'Qual o sentido da vida?'
Elas, tanto a fauna quanto a flora, nessa hora, fecharam os lindos rostos e não me responderam. Apenas saíram de perto e voltaram ao local de onde vieram.
Fiquei olhando, com o Sol forte batendo em meu rosto, sem entender, procurando algo que fizesse sentido e, então, surgiram duas. Essas, por sua vez, já era mais iguais a mim, metricamente falando, mas ainda mantinham as características das menores, com excessão das coroas que traziam.
- O que tu queres saber? - disseram-me em unissom.
- Qual o sentido da vida?
- Achas que sois oráculo? - percebi uma certa sintonia entre os seres, pareciam interagir e, de alguma maneira, serem um só.
- Não, apenas curio o que sinto saber.
- A resposta - mais uma vez - está em ti, em cada um que possui um coração a bater e sonhos para realizar. Agora, vá. Vosso anjo já espera.
E se eu não sentisse meu coração bater?
E se meus sonhos já não colorissem mais o quadro da minha vida?
- Devemos ir naquela direção. - disse-me Manadel, apontando ao cume.
E fomos.
Antes da chegada, senti um leve aroma vindo da minha esquerda. Olhei e vi dois pilares imensos. Perdi-os de vista, tanto para cima quanto para baixo. Ali mesmo parei, estudei, pensei e nada concluí, até que Manadel chegou para me dizer o que era. À minha frente, estavam os Pilares da Criação.
Dourados, grandiosos por si, rodeados por um tom de branco que nunca vi ser tão imperioso na minha vida. Mármore maçiço e, além de tudo, abrigo de fadas.
Não pude evitar e minha curiosidade, mais uma vez, falou mais alto. Quando menos percebi, já estava lá, nos Pilares, frente ao Pilar esquerdo.
Sentia um forte cheiro de hortelã, isso purificou minhas narinas. Algumas fadas vieram me cumprimentar, explicaram que elas eram as responsáveis pela criação de toda a flora e que, dali, saía toda a pureza que podia conter numa simples flor.
Rumando ao Pilar direito, mais fadas vieram me comprimentar.
Senti um forte cheiro de pelo, que me foi até um tanto ácido, devido ao vegetarianismo.
Dessa vez, elas pareciam Faunos e o eram de fato. Explicaram que eram responsáveis pela criação de toda a fauna e que, dali, saía toda a honestidade que podia conter numa simples borboleta.
Quis saber ainda mais, pois era notável estar ali a resposta da mais antiga pergunta do humano - mesmo que não lembrasse, eu ainda o era.
'Qual o sentido da vida?'
Elas, tanto a fauna quanto a flora, nessa hora, fecharam os lindos rostos e não me responderam. Apenas saíram de perto e voltaram ao local de onde vieram.
Fiquei olhando, com o Sol forte batendo em meu rosto, sem entender, procurando algo que fizesse sentido e, então, surgiram duas. Essas, por sua vez, já era mais iguais a mim, metricamente falando, mas ainda mantinham as características das menores, com excessão das coroas que traziam.
- O que tu queres saber? - disseram-me em unissom.
- Qual o sentido da vida?
- Achas que sois oráculo? - percebi uma certa sintonia entre os seres, pareciam interagir e, de alguma maneira, serem um só.
- Não, apenas curio o que sinto saber.
- A resposta - mais uma vez - está em ti, em cada um que possui um coração a bater e sonhos para realizar. Agora, vá. Vosso anjo já espera.
E se eu não sentisse meu coração bater?
E se meus sonhos já não colorissem mais o quadro da minha vida?
quinta-feira, 8 de outubro de 2009
Ainda em ascensão.
Nuvens gloriosas vieram nos dar as boas vindas quando o Inferno ficara para trás. Dançavam na nossa presença e formavam desenhos que diziam o seu sentir. À medida que ganhávamos altura, notei que elas iam ficando mais velhas, transformando-se nas mais complexas nimbus que eu vi. Paramos sobre uma negra, facilmente notada, e lá nos deitamos.
O anjo disse que queria conhecer o meu mundo, a realidade, a física, e tudo o mais. Perdi-me dentro de mim, tive a confirmação de que a loucura me acertara. Se ele dizia isso, onde eu estava? Ou melhor, em qual plano eu estava? Seguindo seu semblante triste por saber que isso não era possível, a nuvem chorou suas mágoas. Ela me explicou que estávamos acima do que era real, que chuva era o pranto da divindade. Caminhei até a borda da nimbus e olhei para baixo. Lá de cima vi alguém que se afogava em mágoas e lhe avisei. O anjo desceu e trouxe aquela alma de volta a vida, devolveu-lhe a vontade de prosseguir.
Reconheci aquela cena: o desgraçado lá de baixo era eu.
Fiquei parado ali, sentado, olhando o que acontecia e lembrando de quando estava ali.
Agora entendi o que ele quis dizer quando tocou meu coração. Ele é meu ego, é ele a personificação da minha vontade de continuar.
Pouco tempo depois, ele subira.
- Manadel, esse é o seu nome.
- Como tu sabes?
- Eu não sei, apenas me veio à mente.
- Sim, é esse o meu nome.
E confirmou-se o que antigos diziam: anjos não têm sexo. A primeira vista, pareceu-me uma mulher, agora, seria um homem. Depois já não saberia mais.
O anjo disse que queria conhecer o meu mundo, a realidade, a física, e tudo o mais. Perdi-me dentro de mim, tive a confirmação de que a loucura me acertara. Se ele dizia isso, onde eu estava? Ou melhor, em qual plano eu estava? Seguindo seu semblante triste por saber que isso não era possível, a nuvem chorou suas mágoas. Ela me explicou que estávamos acima do que era real, que chuva era o pranto da divindade. Caminhei até a borda da nimbus e olhei para baixo. Lá de cima vi alguém que se afogava em mágoas e lhe avisei. O anjo desceu e trouxe aquela alma de volta a vida, devolveu-lhe a vontade de prosseguir.
Reconheci aquela cena: o desgraçado lá de baixo era eu.
Fiquei parado ali, sentado, olhando o que acontecia e lembrando de quando estava ali.
Agora entendi o que ele quis dizer quando tocou meu coração. Ele é meu ego, é ele a personificação da minha vontade de continuar.
Pouco tempo depois, ele subira.
- Manadel, esse é o seu nome.
- Como tu sabes?
- Eu não sei, apenas me veio à mente.
- Sim, é esse o meu nome.
E confirmou-se o que antigos diziam: anjos não têm sexo. A primeira vista, pareceu-me uma mulher, agora, seria um homem. Depois já não saberia mais.
quarta-feira, 16 de setembro de 2009
O Ascender.
Foi, então, que ela me apareceu, novamente.
Desceu dos céus, sendo seguida, lentamente, por demônios. Percebi que nenhum a atacava, assemelhou-se mais ser uma escolta.
A noite pareceu ter tomado vida enquanto o anjo vinha, lentamente, dançando no ar, trazendo consigo uma iluminação fraca que fazia com que ele brilhasse. E onde estava, eu fiquei. Não sabia qual reação deveria eu ter.
Quando ela chegou perto o bastante, estendeu a mão e a colossal janela que estava à minha frente se abriu. Caminhou sobre a água, com todos os cnidários rodando a superfície em que tocara e veio em minha direção. Os demônios não ousaram entrar no quarto.
Mais uma vez, estendeu a mão. Teatralmente, me chamou para ir com ela. Não sabia exatamente quem era, não sabia para onde iríamos, não sabia nada. Mas aceitei a proposta. No segundo em que me pus de pé, ela falou e sua voz anjelical me soou como uma lira, divina como só ela podia ser.
- Essa é uma certeza que lhe possui?
- Ainda não sei. Mas ouso dizer que essa vontade reside em mim.
- Por que?
- Porque eu já nem sei o que é realidade.
- E tu achas que a encontrará aqui, comigo, assim?
- Não sei. Mas acho que devo ir em direção da Luz.
E assim foi feito. Dispus-me a caminhar ao seu lado e o caminho que ela fez, nós retrocedemos. Dessa vez, sem a escolta. Ordenei, pois ainda era Imperador, que eles fossem avisar à minha Imperatriz que eu deixaria o Império. Voltaria depois, esperava eu, apenas não sabia quando nem como. E parti.
Àquela altura, a noite já era dia e eu nunca imaginei que o Inferno pudesse me parecer tão belo. Acho que a saudade ou a incerteza muda nossos olhos.
Desceu dos céus, sendo seguida, lentamente, por demônios. Percebi que nenhum a atacava, assemelhou-se mais ser uma escolta.
A noite pareceu ter tomado vida enquanto o anjo vinha, lentamente, dançando no ar, trazendo consigo uma iluminação fraca que fazia com que ele brilhasse. E onde estava, eu fiquei. Não sabia qual reação deveria eu ter.
Quando ela chegou perto o bastante, estendeu a mão e a colossal janela que estava à minha frente se abriu. Caminhou sobre a água, com todos os cnidários rodando a superfície em que tocara e veio em minha direção. Os demônios não ousaram entrar no quarto.
Mais uma vez, estendeu a mão. Teatralmente, me chamou para ir com ela. Não sabia exatamente quem era, não sabia para onde iríamos, não sabia nada. Mas aceitei a proposta. No segundo em que me pus de pé, ela falou e sua voz anjelical me soou como uma lira, divina como só ela podia ser.
- Essa é uma certeza que lhe possui?
- Ainda não sei. Mas ouso dizer que essa vontade reside em mim.
- Por que?
- Porque eu já nem sei o que é realidade.
- E tu achas que a encontrará aqui, comigo, assim?
- Não sei. Mas acho que devo ir em direção da Luz.
E assim foi feito. Dispus-me a caminhar ao seu lado e o caminho que ela fez, nós retrocedemos. Dessa vez, sem a escolta. Ordenei, pois ainda era Imperador, que eles fossem avisar à minha Imperatriz que eu deixaria o Império. Voltaria depois, esperava eu, apenas não sabia quando nem como. E parti.
Àquela altura, a noite já era dia e eu nunca imaginei que o Inferno pudesse me parecer tão belo. Acho que a saudade ou a incerteza muda nossos olhos.
quarta-feira, 9 de setembro de 2009
Monologar.
Exatamente como suspeitei.
Ter insônia é o veneno de quase todos os poetas e, ironicamente, é esse o veneno que me inspira. Para completar a equação, a insônia é o que me transforma em martírio.
Descobri que não posso ficar só, ainda mais se eu estiver rodeado das lágrimas que chorei, com elas cheias de animais que tanto me são gloriosos.
A merda dessa insônia me lembrou o quão fraco eu sou, o quão egoísta aparento ser e, no fundo, sou composto, foi no meu não dormir que eu, pela incontável vez, desejei o fim de tudo isso.
Como? Da maneira mais nobre possível: suicídio.
Mas para onde iria minha alma podre? Para o Inferno? Já me encontro aqui, já sou o imperador, já desafiei a minha imperatriz, já fiz tudo que não devia.
E agora? O que fazer?
Ter insônia é o veneno de quase todos os poetas e, ironicamente, é esse o veneno que me inspira. Para completar a equação, a insônia é o que me transforma em martírio.
Descobri que não posso ficar só, ainda mais se eu estiver rodeado das lágrimas que chorei, com elas cheias de animais que tanto me são gloriosos.
A merda dessa insônia me lembrou o quão fraco eu sou, o quão egoísta aparento ser e, no fundo, sou composto, foi no meu não dormir que eu, pela incontável vez, desejei o fim de tudo isso.
Como? Da maneira mais nobre possível: suicídio.
Mas para onde iria minha alma podre? Para o Inferno? Já me encontro aqui, já sou o imperador, já desafiei a minha imperatriz, já fiz tudo que não devia.
E agora? O que fazer?
quinta-feira, 27 de agosto de 2009
O Afogar.
Do sono ao pesadelo. Mexi-me para o lado e caí da cama, direto ao fundo do mar que chorei.
Afogando-me lentamente, pude ver as hidras e todos os outros cnidários que dançavam calmamente a dança da minha morte, entre eles passava rápido uma sereia, a mesma que recebia o nome que meus antepassados a deram, a mesma que fora amada como uma deusa. Notei que, ao fundo, vinha subindo, iluminada de branco, contrastando com o fundo ciano, da cor do próprio veneno, uma medusa de tamanho avantajado. Ela se aproximava de mim na medida que eu perdia o ar e somava meu choro à água que lá já estava. Mais uma vez, senti medo.
Quando estava no mesmo nível que eu, a Medusa parou e com um tentáculo urticante, me puxou para perto dela. A dor foi tamanha que gritei afogado e pude me ouvir. Com um tentáculo menor, ela tocou a minha testa, anestesiou-me e usou sua telepatia para dizer o quão fraco eu sou por chorar tanto. Imediatamente, engoli o choro, literalmente, engasgando-me um pouco.
- Se viver sendo irreal, cuidando de animais que não podem ouvir-me ou ver-me, por que seria tão complicado reinar onde todos existem de verdade e podem interagir com um simples mandamento teu?
- Eu já nem sei onde termino e recomeço.
- Como sempre tu ousa se esconder no teu sofrimento. Minha rainha também me abandonou, deixou tudo que teus olhos enxergam e até onde você não consegue decifrar para eu cuidar só. Dói, morro com tanta saudade, mas não desfaço-me.
- Não tenho nada a responder.
Tirando o tentáculo anestésico da minha pele, a dor voltara a ser suprema. Por uns segundos, Medusa me segurou apenas para ter certeza de que entendi o que ela quis dizer. Tomou verdade vendo como eu sofri calado. Subitamente, a dor sumiu e ele, sutilmente, levantou-me de volta para a cama, de onde o olhei sem saber o que poderia acontecer agora.
Fechei os olhos, mas tinha certeza de que não conseguiria dormir.
Afogando-me lentamente, pude ver as hidras e todos os outros cnidários que dançavam calmamente a dança da minha morte, entre eles passava rápido uma sereia, a mesma que recebia o nome que meus antepassados a deram, a mesma que fora amada como uma deusa. Notei que, ao fundo, vinha subindo, iluminada de branco, contrastando com o fundo ciano, da cor do próprio veneno, uma medusa de tamanho avantajado. Ela se aproximava de mim na medida que eu perdia o ar e somava meu choro à água que lá já estava. Mais uma vez, senti medo.
Quando estava no mesmo nível que eu, a Medusa parou e com um tentáculo urticante, me puxou para perto dela. A dor foi tamanha que gritei afogado e pude me ouvir. Com um tentáculo menor, ela tocou a minha testa, anestesiou-me e usou sua telepatia para dizer o quão fraco eu sou por chorar tanto. Imediatamente, engoli o choro, literalmente, engasgando-me um pouco.
- Se viver sendo irreal, cuidando de animais que não podem ouvir-me ou ver-me, por que seria tão complicado reinar onde todos existem de verdade e podem interagir com um simples mandamento teu?
- Eu já nem sei onde termino e recomeço.
- Como sempre tu ousa se esconder no teu sofrimento. Minha rainha também me abandonou, deixou tudo que teus olhos enxergam e até onde você não consegue decifrar para eu cuidar só. Dói, morro com tanta saudade, mas não desfaço-me.
- Não tenho nada a responder.
Tirando o tentáculo anestésico da minha pele, a dor voltara a ser suprema. Por uns segundos, Medusa me segurou apenas para ter certeza de que entendi o que ela quis dizer. Tomou verdade vendo como eu sofri calado. Subitamente, a dor sumiu e ele, sutilmente, levantou-me de volta para a cama, de onde o olhei sem saber o que poderia acontecer agora.
Fechei os olhos, mas tinha certeza de que não conseguiria dormir.
sábado, 15 de agosto de 2009
O Reacordar e um pouco d'O Ressurgir.
Do presente direto ao quarto. Lá, num piscar de olhos, lágrimas banhavam o medo e eu percebi o que estava acontecendo. Voltei para mim, recobrei a sanidade. E tudo que eu vivi momentos atrás pareceu uma eternidade distante.
Foi estranho acordar daquele estado de sonambulismo e perceber o que havia nas minhas mãos.
Mais uma vez, a Morte demonstrou calma, sentando-se ao meu lado na cama que parecia se alegrar com meu temor. Agora, sua divindade havia sido desfigurada, levando embora toda a grandiosidade, sendo naquele momento uma mera falsa-mortal, vestida com trapos e algumas dezenas de anos mais velha.
Eu não soube o que dizer e, por esse motivo, desconheço as palavras a serem usadas agora.
Lembro que foram mais de algumas horas naquela situação, sendo eu o infeliz que cuspia sentidos sem sequer ter uma direção para falar. Apesar disso, a Morte não saiu do meu lado.
Até que eu o pedi.
- Me deixe só.
- É o que queres?
- Tenho que falar outra vez para que tenhas certeza?
- Não se atreva a responder-me com esta ousadia.
- Cale a boca. Eu sou seu Imperador e tu há de obedecer-me, minha Imperatriz - disse com um leve tom de prazer por poder humilhá-la.
Ela olhou ao chão e eu senti, pela primeira vez, aquele ser se amaciar e, sutilmente, ela confessou:
- Eu amo você, desde a primeira vez que lhe vi e, mesmo assim, ainda ouço-lhe falando sobre suadade, sobre sofrer e, eu, que sofro e sinto saudades eternas por ti, crio soluções para teus sentires. E você some.
Na mesma sutileza, quase unindo minhas frases para abraçá-la, eu respondi:
- Saia, por favor.
E ela saiu.
Aqueles lençóis me serviram de proteção de mim mesmo. Deixei-me vivo apenas por saber que, pior que morrer para sempre, é viver todo dia e morrer um pouco a cada dormir. Mas o conforto da cama não seria o bastante para me livrar do mar que meu choro fez nem dos cnidários que vinham de encontro a mim quando eu me afogara.
Foi estranho acordar daquele estado de sonambulismo e perceber o que havia nas minhas mãos.
Mais uma vez, a Morte demonstrou calma, sentando-se ao meu lado na cama que parecia se alegrar com meu temor. Agora, sua divindade havia sido desfigurada, levando embora toda a grandiosidade, sendo naquele momento uma mera falsa-mortal, vestida com trapos e algumas dezenas de anos mais velha.
Eu não soube o que dizer e, por esse motivo, desconheço as palavras a serem usadas agora.
Lembro que foram mais de algumas horas naquela situação, sendo eu o infeliz que cuspia sentidos sem sequer ter uma direção para falar. Apesar disso, a Morte não saiu do meu lado.
Até que eu o pedi.
- Me deixe só.
- É o que queres?
- Tenho que falar outra vez para que tenhas certeza?
- Não se atreva a responder-me com esta ousadia.
- Cale a boca. Eu sou seu Imperador e tu há de obedecer-me, minha Imperatriz - disse com um leve tom de prazer por poder humilhá-la.
Ela olhou ao chão e eu senti, pela primeira vez, aquele ser se amaciar e, sutilmente, ela confessou:
- Eu amo você, desde a primeira vez que lhe vi e, mesmo assim, ainda ouço-lhe falando sobre suadade, sobre sofrer e, eu, que sofro e sinto saudades eternas por ti, crio soluções para teus sentires. E você some.
Na mesma sutileza, quase unindo minhas frases para abraçá-la, eu respondi:
- Saia, por favor.
E ela saiu.
Aqueles lençóis me serviram de proteção de mim mesmo. Deixei-me vivo apenas por saber que, pior que morrer para sempre, é viver todo dia e morrer um pouco a cada dormir. Mas o conforto da cama não seria o bastante para me livrar do mar que meu choro fez nem dos cnidários que vinham de encontro a mim quando eu me afogara.
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