Pouco tempo depois, o céu começava a clarear, anunciando, ao alto, o Astro regente. E eu reconheci aquela imagem: eram as mesmas nuvens, o mesmo tom de azul escuro e a mesma intensidade de luz que eu havia visto em meu sonho.
...
Meu coração, agora, estava abraçado pela arritmia desesperada de quem está prestes a morrer.
Me encontrei entre braços apertados que visavam meu sorriso, tentando, mesmo que inutilmente, secar minhas lágrimas.
Era tudo em vão.
Poucas horas se passaram até que fosse confirmado o indício de uma dor: a solidão.
No momento em que tudo acontecia, a Morte estava sempre ali, ao meu lado. Agora, aparecia-me como uma criança.
- O que explica tão forma?
- O que julga ser?
- Se soubesse, não teria sido alvo da minha pergunta.
- Espero que encerre tal insolência. Senão, terás partido assim.
- Desculpa-me. Meu ponto fraco é a saudade.
- Eu sei. Sei do que tira-lhe o sono e o que lhe põe a dormir. Sei o que temes e o que desejas. Sei de tudo.
- Não sabia que a Morte era portadora de tal conhecimento.
Desconversando-me, o assunto, rapidamente, tomou outro rumo. Sua imagem ainda era infantil, e eu achei que sua personalidade também sofreria com essas mudanças.
Eu errei.
- Respira fundo, criança. Nenhuma saudade é eterna.
Eu, nessa frase, entendi o porque do aspecto dela. Eu não a temia, isso era um fato. Por isso ela possuía tal beleza.
O que a fez tornar-se uma criança foi a minha vontade de brincar com sua presença naquele momento.
Mas, ao final daquela sentença, voltou a ser de uma mulher a sua aparência lindamente mortal. Ela se preocupava comigo e cuidava de mim.
Não era assim que me disseram que esse ser seria.
Mais uma vez, surpreendeu-me, apaixonou-me.
Eu aproveitei que chovia para esconder no pranto divino o meu próprio pesar de amor.
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