sexta-feira, 30 de janeiro de 2009

O Sonho.

eu fui apresentado à Morte, e me curvei.
Ainda não sabia bem onde estávamos. Era um espaço vago, gelado e deserto, mas algo uniu o ritmo do lugar ao ritmo do meu entender. Estava levemente escuro, próximo de amanhecer. Havia algumas nuvens grandes e brancas, me senti calmo. A sensação foi amena.
Não consegui decifrar de quem era a voz, mas me pareceu familiar.
Elas nos introduziu como se fôssemos parentes próximos desconhecidos.
- Levanta-te, criança. Não sou um deus que merece respeito.
- Tens minha atenção, meu fascínio e, principalmente, minha reza. Do que mais precisas?
Levantei-me, calmamente, mirando meu olhar a seu rosto. E fiquei surpreso.
- Eu esperava algo mais agressivo de alguém como você.
- A maneira como me revelo à ti, é a meneira como me vês.
- O que tu queres de dizer?
- Nada mais do que realmente aparentou.
- Quer dizer que me és uma linda mulher por causa do meu estado de espírito?
- Exatamente. Como não me temes, tenho dócil aparência.
A humanidade está estagnada num pensamento mórbido sobre o que é morrer. Com o passar dos milênios, uma doutrina foi esquecida e, junto com ela, uma sabedoria imensa, um poder imenso. Vocês se acostumaram a morrer - tenho repúdio à isso - e, por esse acostumar, imaginam-me bizarra.
- Por que? É o coletar de almas que te satifaz.
- Mentira. Nunca mais ouse proferir tal afirmação. - a frieza de sua voz corroeu meu tímpano.
Hoje em dia tua raça despreza-me, achando que faço tal ato pelo prazer. Eu sou obrigada. Por vocês.
Estou cansada de ter que julgar quem sobe e quem desce. Todos deveriam subir, ao menos, ao limbo; mas não deram valor à vida.

Ela fitou-me, como se estudasse-me. Esses segundos pareceram eternos, senti um pouco de medo. Subitamente, a sua beleza foi levemente desfigurada, assim como havia explicado-me.
Sentindo a maneira como o tempo não passava, descobri onde estávamos. O Inferno também me surpreendeu, assim como seu imperador.

Abri os olhos, ainda estava de madrugada. 03:29. Eu havia dormido por menos de um minuto.
Não conseguia descansar, certamente pelos dias que antecederam-me a semana. Tal fato só acontecia quando o sono transformava-se em desmaio.

Eu quis entender o motivo do meu sonhar. Mas não precisei pensar muito.
A resposta era óbvia.

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