quinta-feira, 12 de fevereiro de 2009

A Chuva.

Parecia que a água escorria pelos céus como se todos os deuses chorassem.
Era relativo à minha tristeza, talvez fosse a tradução da mesma.
Ou, talvez, fosse, simplesmente, uma ajuda para que eu escondesse minha dor.
Àquela altura, tudo que me restava era o medo.
Encontrei-me circundado em um oceano de saudade, onde eu afogava minhas mãos, e, pouco a pouco, o resto de meu corpo.
Toda aquele mar parecia me puxar em direção de uma profundeza desconhecida, estranhamente, eu não tive coragem de lutar.
Junto do corpo, iria a vontadede viver.
Agora, estava imerso no imenso, meu nariz se preparava para um último suspiro.
Os olhos fecharam, mais uma vez, para esquecer. Esquecer o que quer que fosse.
Ao fundo, eu me lancei.

Mãos quentes, facilmente perceptíveis na frieza do líquido, agarraram-me pelo tronco, puxando-me na direção oposta ao solo.
Com uma sutileza colossal, um ser conseguiu fazer com que meu corpo saísse daquele tormento. Com a menor demonstração de força, a sua foi bem maior que a de toda a correnteza.
Livrou-me do que, depois, eu percebi ser uma quimera.

Abri os olhos e vi uma lira dourada, guardada por um arcanjo que irradiava um novo ar. Seu toque era sincero, como se quisesse me dizer algo. Longas vestes brancas, um pouco cobertas por quatro asas levemente escuras, ainda tocavam a água enquanto subíamos em direção aos céus, com as outras duas asas que lhe restavam.
Tudo ficou sereno, a calmaria se fez presente.
Toda aquela vasta quantidade oceânica se esvaiu, num piscar de olhos; virou terra florida. Logo senti o cheiro de rosas.
As nimbus sumiram, como se dançassem e deram espaço ao Sol, que quase pude ver brincar.

- Eu não sei que tu és, mas, por alguma razão que desconheço, sinto que, por ti, eu esperava.
- Não me reconheces?
- Não.
- Eu sou um arcanjo, porém, mais do que isso, eu sou o que lhe deixa feliz.
- O que me deixa feliz?
- Aqui - disse-me o arcanjo, tocando meu coração. - Encontra tua resposta.

Aquele toque diminuiu meu ritmo cardíaco, fazendo-me dormir e acordar do desmaio solitário.

Agora, encontro-me na realidade.

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