terça-feira, 23 de junho de 2009

A Vontade.

Surgiu, virou parte determinante de mim.
Destilei-me.
Vontade de chorar, nada mais, apenas isso ser, sem temer nem dever, apenas fazer e lá, naquele canto, ficar.

Voltei à minha casa trazido pelo Vento frio que soprava da tempestade que estava por vir, ouvindo o dialeto de quando a Terra era jovem, quando só haviam os Elementos, a Magia e nada mais. Tempo que havia Paz, nenhuma Dor.
E aquele ar gelado me falou:
- Acalma-te, criança. Sou tão velho quanto os Cosmos, sou de um tempo que não existe ruindade e lhe digo, com toda a experiência de quem ronda a existência, que tudo há de melhorar.

Minha Casa me recebeu, enquanto ainda lágrimas saíam e me acolheu.
Vagarosamente se envergou, protegendo meu ser, assim como uma mãe protege um filho em câncer terminal, ou o tenta. Abri os olhos e vi toda essa construção tremer.
Essas paredes sabem o que me fere, sabem o que me confortam; todo cômodo expõe claramente.

Seguiam o estilo da Casa os outros Ventos que passavam, sutilmente desviando sua rota para me acariciar, levando-me à melhoria. Abraçaram meu corpo, trataram-me como criança e se importavam comigo.
São eles os pais da piedade, do perdão e os precursores da amizade.

Lenta e dolorosamente, amanheceu. E, junto do céu, nasceu algo em minha frente que eu não conseguiria explicar através das palavras que conheço.

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